Arquivo de Outubro, 2007

How children fail

Um livro indispensável (para estar sempre à cabeceira de qualquer educador…)

“The only difference between a good student and a bad student, is that the
good student is careful not to forget what he studied until after the test.”

Página de John Holt

 


“Este conceito de que as crianças não aprendem sem recompensas ou castigos externos ou, segundo o palavreado depreciativo dos behavioristas, sem «reforços positivos e negativos», acaba por se transformar numa realidade. Se tratarmos as crianças durante tempo suficiente como se isso fosse verdade, elas acabarão por acreditar na sua veracidade. Assim, muitas pessoas já me disseram: «Se não obrigássemos as crianças a fazerem certas coisas, elas não fariam nada.» E ainda dizem coisas piores: «Se eu não tivesse sido obrigado a fazer certas coisas, não teria feito nada.»
É a doutrina do escravo.
Quando as pessoas dizem estas coisas terríveis sobre si próprias, eu digo:«Pode acreditar nisso, mas eu não acredito. Quando era pequeno certamente não pensava dessa forma. Quem o ensinou a pensar assim?» Em grande parte, foi a escola. Será que as escolas transmitem essa mensagem por acaso, ou de propósito? Não sei e não acho que se saiba. Transmitem-na, porque, ao acreditarem nela, não conseguem deixar de agir como se isso fosse verdade.”

“(…) Deixei de acreditar que as “escolas”, por muito bem organizadas que sejam, constituam os únicos locais adequados, ou os melhores para que este processo (aprendizagem) aconteça. Tal como escrevi em Instead of Education e em Teach Your Own, salvo raras excepções, o conceito de locais de aprendizagem, onde nada acontece a não ser aprendizagem, já não me parece fazer sentido algum. O local mais adequado e o melhor lugar para as crianças aprenderem tudo o que precisam ou querem aprender é o local onde quase todas as crianças aprendiam, até há bem pouco tempo – o próprio mundo, e no seio dos adultos.
Devíamos instalar em todas as comunidades (talvez em antigos edifícios escolares) centros de recursos e de actividades, clubes e outros locais onde pudessem ocorrer muitas espécies de coisas – bibliotecas, salas de música, teatros, instalações desportivas, oficinas, salas de conferência, que estariam abertas ao público e seriam usados tanto pelos jovens, como pelos mais novos, como pelos mais velhos. Cometemos um erro terrível quando (com a melhor das intenções) separámos as crianças dos adultos e a aprendizagem do resto da vida, e uma das nossas tarefas mais urgentes é derrubar essas barreiras e voltar a reuni-las (a aprendizagem e a vida). (…)”

(…) Parece que todos os professores, desde a escola primária até às escolas superiores, trabalham afincadamente com o objectivo de mostrar que os nossos alunos sabem mais do que na realidade sabem. A nossa posição entre os outros professores, ou da nossa escola entre as outras escolas, depende da sabedoria aparente dos nossos alunos; não dos seus conhecimentos reais, nem da eficácia com que eles possam vir a utilizar aquilo que sabem, nem mesmo se eles vão ser efectivamente capazes de o fazer. Quanto mais matéria formos capazes de “cobrir” nas nossas aulas, nas nossas disciplinas, ou em todo o ano lectivo, mais conceituados pareceremos; e quanto mais facilmente conseguirmos mostrar que, ao sairem da escola, os alunos sabiam aquilo que era suposto saberem, mais facilmente poderemos escapar à responsabilidade, quando mais tarde se descobre (o que normalmente acontece) que não sabem grande parte do que estudaram. (…)

“(…) Eu próprio já entrei neste jogo. Quando comecei a leccionar, achava, que a finalidade de um teste era testar, ou seja, descobrir o que os alunos sabiam de uma determinada matéria. Não demorei muito tempo a descobrir que se fizesse testes-surpresa aos meus alunos, cobrindo toda a matéria dada até à data, quase toda a gente reprovaria. Isto deixava-me mal visto e causava problemas à escola. Aprendi que a única maneira de obter uma percentagem respeitável de notas decentes, ou que dessem para passar, era anunciar os testes com bastante antecedência, dizer com algum pormenor qual a matéria que sairia e começar a fazer logo desde muito cedo bastantes exercícios do mesmo tipo que iriam sair no teste, a que dávamos o nome de revisões. Posteriormente, soube que os professores fazem isto em toda aparte. Sabemos que o que estamos a fazer não é realmente honesto, mas não ousamos ser os primeiros a parar e tentamos justificar-nos ou desculpar-nos quando dizemos que, afinal de contas, não é assim tão prejudicial quanto isso. Contudo, estamos errados: é bastante prejudicial. (…)”

“(…) Se as crianças se preocupam tanto com o fracasso, não será porque se importam demasiado com o sucesso e dependem muito dele? Não haverá, de uma maneira geral, demasiados elogios em relação ao bom trabalho nos anos mais elementares? Se, quando o Johnny faz um bom trabalho, o fizermos sentir “bem”, não podemos estar, sem intenção, a fazê-lo sentir-se “mal” quando faz um trabalho errado?
As crianças precisam mesmo de tantos elogios? Quando uma criança, depois de uma longa batalha, consegue finalmente fazer o puzzle do cubo, precisará mesmo que lhe digam que fez bem? Ela não saberá, sem que lho digam, que conseguiu fazer uma coisa bem feita? Na verdade, quando a elogiamos, não estaremos, talvez, a intrometer-nos no seu trabalho, roubando um pouco da sua glória, imiscuindo-nos no seu sucesso, fazendo elogios a nós mesmos por termos ajudado a fabricar uma criança tão esperta? A maioria dos elogios que os adultos fazem às crianças não será uma espécie de auto-elogio? Estou a pensar naquela maravilhosa composição que Nat escreveu sobre a sala de jantar da sua casa. Ao pensar nessa composição, vejo agora, para meu horror, que estou realmente a congratular-me pela participação que tive nela. Como ele é um rapaz inteligente! E que homem inteligente que eu sou por ter tomado parte do seu desenvolvimento!(…)”


JH- Dificuldades em aprender (How children fail)

Ed. Presença

Metodologias de Investigação em Educação – recursos

Em busca de informações… cheguei AQUI e encontrei uma variedade enorme de recursos indispensáveis:

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

 

Mestrado em Educação

 

METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO II

.

João Filipe Matos (2004/2005)

.

Métodos de Investigação – O que aprendemos “em comunidade”?

Já parece distante, mas não quero esquecer certos caminhos.
Criei a minha avatara Te Yalin para frequentar os encontros na SecondUA (Universidade de Aveiro no Second Life)
O interesse pelas tecnologias já era grande e foi crescendo.
Um dia a pergunta ao Luís Pedro (elemento da equipa de Aveiro): o que se faz de interessante aqui no sul de estudos complementares em tecnologias educativas?
Resposta pronta: uma boa referência é o portal do professor Fernando Costa da FPCE: aprender.com
Aí vou eu…
À entrada uma teia… e a ideia de fios cruzados para aprender a olhar, pensar, fazer diferente. Sintonia com as intenções.
Contacto. Sugestão do mestrado que ia abrir. Que não, que não, que o tempo não dá. Mas pronto. Convenci-me.
Depois o blogue Miragens, que vai dando pistas que só percebemos  excelentes quando a necessidade delas surge. A vida também é assim.
Definida que está genericamente, no meu projecto de tese, a metodologia de intervenção, que configura claramente um quadro de investigação-acção, com o “qualitativo” mais colado à ideia do que as contas ou excepcionais e validáveis provas de tão pequeno gesto meu com uma turma, reparo no delicious do Miragens: Excelente partida sobre Investigação Qualitativa
Já lá dentro… abro a lista de tópicos e, bem ali à minha frente, Action-research convida-me a espreitar.
Tantos recursos! Fase de parar e ir com calma. Escolher o primeiro, parece-me bem. Gostei do título, sugestivo, com o seu quê de literário: Russell, T. Action Research: Who? Why? How? So What? precioso! Não me arrependi da escolha. Muito em que pensar.
 Depois com calma avançar pelos outros. E pelo excelente livro que é este que aqui divulgo – Research Methods in Education (6th Edition), que inclui, entre imensa informação, um capítulo dedicado à Investigação acção.

Informação não falta… vamos lá a organizar o tempo para a aproveitar da melhor forma… (Essa será a verdadeira ciência, a verdadeira mestria… nada fácil, vos garanto.)

livmetodos.jpg

Tudo isto se vai tornando possível, bem aqui à mão de semear, porque são bem reais estas comunidades virtuais. E muito do que tenho aprendido nos dois últimos anos resultou directa ou indirectamente de contactos no mundo virtual que oferecem uma diversidade pessoal, cultural e científica (genética 🙂 ) que tem efeitos positivos na sobrevivência e propagação do conhecimento (da espécie 🙂 ). Não se conseguem ambientes tão completos e ricos nas comunidades presenciais. Ou pelo menos assim me parece, embora goste de café e tal. E de conhecer as pessoas, como tem acontecido ao longo destes dois anos. Por outras melhores e mais precisas palavras: o virtual tem enriquecido imenso o meu real.

Scribd , esnips e… outros recursos…

(Recebi ontem esta mensagem, reenviada por uma amiga… óptimos recursos!)

Deixem a “Pen Drive” em casa!
por
João Carlos Antunes – Segunda, 22 Outubro 2007, 19:38

Já uso o Scribd há um bom par de meses. É bastante interessante e tem ainda algumas outras virtualidades que não são de desprezar, como a de qualquer documento que lá coloquemos podermos obter um ficheiro MP3 de leitura oral do texto, esteja ele no word ou no powerpoint. Interessante para professores de inglês (a única língua disponível). Mas como a Net não deixa de nos surpreender, existe um outro serviço ainda melhor. É o esnips que nos dá 5 gigas de espaço para guardarmos os ficheiros (podemos transferir o conteúdo de uma pasta de uma só vez) organizados em pastas que podem ser públicas ou privadas. Tanto podem ser ficheiros como páginas web… A título de exemplo, vejam uma pasta minha, pública, sobre recursos educativos:
http://www.esnips.com/web/Recursoseducativos

Journal of Educational Technology & Society

Journal of
Educational Technology & Society

A informação sobre a existência desta publicação foi dada na primeira sessão do Seminário 1 (2º ano do mestrado)… fui procurar e já encontrei por lá muita informação interessante. Pensava que apenas os abstracts seriam disponibilizados mas… ali estão eles, os artigos completos para nosso deleite e satisfação! 🙂 (Pelo menos nas buscas que já fiz).

Partilho. Pode dar jeito…

Gota a gota (ou a fábula do colibri). Que problema queremos resolver?

Deixo-vos aqui uma adaptação da mensagem  que escrevi no fórum da plataforma da disciplina Seminário 1 (2º ano do mestrado):

Depois do brainstorming da sessão de ontem sobre a necessidade de circunscrever campos de acção/investigação, ainda que num primeiro momento nos sintamos, como disse a Professora Guilhermina Miranda, Messias Salvadores com obrigação de resolver sozinhos e por milagre todos os problemas educativos… ocorreu-me a fábula do colibri (de Wangari Maathai, Prémio Nobel da Paz de 2004) para fundamentar o plano-versão1 que deixei na plataforma do Seminário (é uma primeira correcção às intenções que levava ontem… ainda em devir, claro. Aqui e ali continuo a resvalar da gota para o rio.)

A tal fábula do colibri que referi ajuda a perceber que há sempre um espaço de intervenção, um contributo possível de cada professor para o esforço global de resolução dos problemas de fundo, ainda que sintamos esse nosso esforço como uma pequena gotinha. Na maioria das vezes esse sentimento é inibidor, esmagador, face à tarefa hercúlea e aparentemente impossível, bloqueando qualquer acção (com os argumentos: nem vale a pena, não vai servir de nada).
Ora o que nos une nesta comunidade de aprendizagem do 2º ano do mestrado, o que nos liga neste encontro de gente em busca de resposta para uma qualquer ansiedade, é precisamente o desejo de fazer algo e a consciência de que está nas nossas mãos agir, ainda que nos assuste a ideia de que o contributo se assemelhe a gota de água. Tentei libertar-me desse complexo de que o “pouco” é simplesmente “pouco”. Acreditar que “muitos poucos” fazem “muito”. 19 gotas não vão chegar para apagar o incêndio todo? Mas ajudam. E um dia será possível. Pelo menos, para já, este fio de água com 19 gotas vai matar a sede daqueles ao serviço de quem colocarmos a nossa acção/investigação. E matará uma parte da nossa própria sede de conhecer, de aprender e de agir.

O colibri na floresta em chamas
Nós recebemos informações sobre os furacões, a pobreza, a fome, as pessoas que morrem. Ficamos com a ideia de que não podemos enfrentar estes grandes problemas. Dizemos para nós mesmos que o que podemos fazer é muito pouco e assim acabamos não fazendo nada. Uma vez um índio contou-me esta história sobre um pequeno colibri. (Wangari)

Havia um grande incêndio na floresta. Preocupados, os animais fugiam da selva em chamas. Quando todos se encontraram num lugar seguro, bem distante do fogo, ficaram apenas a olhar. Eles sentiam que nada podiam fazer pois o incêndio era enorme. No entanto, um pequeno colibri decidiu que tentaria apagar o fogo. O pássaro foi até um rio próximo, apanhou uma gota de água, sobrevoou a floresta em chamas e lançou a gota que carregava no bico. Enquanto ele ia e vinha, os outros animais perguntavam: “O que estás a fazer? Não vais conseguir! Tu és muito pequeno e este incêndio é muito grande!”. Alguns animais tinham bicos bem grandes mas não ajudavam.

Mas o colibri estava convencido de que podia ajudar a apagar o incêndio e continuou atirando pequenas gotas às chamas que consumiam as árvores, respondendo “eu faço a minha parte! Faço o que é possível!” (Existem variações da fábula. Adaptei o texto que serviu de referência a esta, tendo por base versões mais simples.)

Investigação à mão…

Já vos falei do ISTE há tempos.

Mas agora o Prof. Fernando Costa da FPCE chamou-me a atenção para um projecto desta sociedade (CARET – Center for Applied Research in Educational Technology) que pode fornecer pistas úteis e alguns recursos interessantes.

CARET is a project of the International Society for Technology in Education in partnership with Educational Support Systems. CARET was founded in 2000 with a grant from the Bill & Melinda Gates Foundation.

CARET bridges education technology research to practice by offering research-based answers to critical questions.


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