Gota a gota (ou a fábula do colibri). Que problema queremos resolver?

Deixo-vos aqui uma adaptação da mensagem  que escrevi no fórum da plataforma da disciplina Seminário 1 (2º ano do mestrado):

Depois do brainstorming da sessão de ontem sobre a necessidade de circunscrever campos de acção/investigação, ainda que num primeiro momento nos sintamos, como disse a Professora Guilhermina Miranda, Messias Salvadores com obrigação de resolver sozinhos e por milagre todos os problemas educativos… ocorreu-me a fábula do colibri (de Wangari Maathai, Prémio Nobel da Paz de 2004) para fundamentar o plano-versão1 que deixei na plataforma do Seminário (é uma primeira correcção às intenções que levava ontem… ainda em devir, claro. Aqui e ali continuo a resvalar da gota para o rio.)

A tal fábula do colibri que referi ajuda a perceber que há sempre um espaço de intervenção, um contributo possível de cada professor para o esforço global de resolução dos problemas de fundo, ainda que sintamos esse nosso esforço como uma pequena gotinha. Na maioria das vezes esse sentimento é inibidor, esmagador, face à tarefa hercúlea e aparentemente impossível, bloqueando qualquer acção (com os argumentos: nem vale a pena, não vai servir de nada).
Ora o que nos une nesta comunidade de aprendizagem do 2º ano do mestrado, o que nos liga neste encontro de gente em busca de resposta para uma qualquer ansiedade, é precisamente o desejo de fazer algo e a consciência de que está nas nossas mãos agir, ainda que nos assuste a ideia de que o contributo se assemelhe a gota de água. Tentei libertar-me desse complexo de que o “pouco” é simplesmente “pouco”. Acreditar que “muitos poucos” fazem “muito”. 19 gotas não vão chegar para apagar o incêndio todo? Mas ajudam. E um dia será possível. Pelo menos, para já, este fio de água com 19 gotas vai matar a sede daqueles ao serviço de quem colocarmos a nossa acção/investigação. E matará uma parte da nossa própria sede de conhecer, de aprender e de agir.

O colibri na floresta em chamas
Nós recebemos informações sobre os furacões, a pobreza, a fome, as pessoas que morrem. Ficamos com a ideia de que não podemos enfrentar estes grandes problemas. Dizemos para nós mesmos que o que podemos fazer é muito pouco e assim acabamos não fazendo nada. Uma vez um índio contou-me esta história sobre um pequeno colibri. (Wangari)

Havia um grande incêndio na floresta. Preocupados, os animais fugiam da selva em chamas. Quando todos se encontraram num lugar seguro, bem distante do fogo, ficaram apenas a olhar. Eles sentiam que nada podiam fazer pois o incêndio era enorme. No entanto, um pequeno colibri decidiu que tentaria apagar o fogo. O pássaro foi até um rio próximo, apanhou uma gota de água, sobrevoou a floresta em chamas e lançou a gota que carregava no bico. Enquanto ele ia e vinha, os outros animais perguntavam: “O que estás a fazer? Não vais conseguir! Tu és muito pequeno e este incêndio é muito grande!”. Alguns animais tinham bicos bem grandes mas não ajudavam.

Mas o colibri estava convencido de que podia ajudar a apagar o incêndio e continuou atirando pequenas gotas às chamas que consumiam as árvores, respondendo “eu faço a minha parte! Faço o que é possível!” (Existem variações da fábula. Adaptei o texto que serviu de referência a esta, tendo por base versões mais simples.)

1 Response to “Gota a gota (ou a fábula do colibri). Que problema queremos resolver?”


  1. 1 barbara cristina Março 16, 2010 às 7:08 pm

    é muito da hora essa história o autor teve muita criativadade eu adorei


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