How children fail

Um livro indispensável (para estar sempre à cabeceira de qualquer educador…)

“The only difference between a good student and a bad student, is that the
good student is careful not to forget what he studied until after the test.”

Página de John Holt

 


“Este conceito de que as crianças não aprendem sem recompensas ou castigos externos ou, segundo o palavreado depreciativo dos behavioristas, sem «reforços positivos e negativos», acaba por se transformar numa realidade. Se tratarmos as crianças durante tempo suficiente como se isso fosse verdade, elas acabarão por acreditar na sua veracidade. Assim, muitas pessoas já me disseram: «Se não obrigássemos as crianças a fazerem certas coisas, elas não fariam nada.» E ainda dizem coisas piores: «Se eu não tivesse sido obrigado a fazer certas coisas, não teria feito nada.»
É a doutrina do escravo.
Quando as pessoas dizem estas coisas terríveis sobre si próprias, eu digo:«Pode acreditar nisso, mas eu não acredito. Quando era pequeno certamente não pensava dessa forma. Quem o ensinou a pensar assim?» Em grande parte, foi a escola. Será que as escolas transmitem essa mensagem por acaso, ou de propósito? Não sei e não acho que se saiba. Transmitem-na, porque, ao acreditarem nela, não conseguem deixar de agir como se isso fosse verdade.”

“(…) Deixei de acreditar que as “escolas”, por muito bem organizadas que sejam, constituam os únicos locais adequados, ou os melhores para que este processo (aprendizagem) aconteça. Tal como escrevi em Instead of Education e em Teach Your Own, salvo raras excepções, o conceito de locais de aprendizagem, onde nada acontece a não ser aprendizagem, já não me parece fazer sentido algum. O local mais adequado e o melhor lugar para as crianças aprenderem tudo o que precisam ou querem aprender é o local onde quase todas as crianças aprendiam, até há bem pouco tempo – o próprio mundo, e no seio dos adultos.
Devíamos instalar em todas as comunidades (talvez em antigos edifícios escolares) centros de recursos e de actividades, clubes e outros locais onde pudessem ocorrer muitas espécies de coisas – bibliotecas, salas de música, teatros, instalações desportivas, oficinas, salas de conferência, que estariam abertas ao público e seriam usados tanto pelos jovens, como pelos mais novos, como pelos mais velhos. Cometemos um erro terrível quando (com a melhor das intenções) separámos as crianças dos adultos e a aprendizagem do resto da vida, e uma das nossas tarefas mais urgentes é derrubar essas barreiras e voltar a reuni-las (a aprendizagem e a vida). (…)”

(…) Parece que todos os professores, desde a escola primária até às escolas superiores, trabalham afincadamente com o objectivo de mostrar que os nossos alunos sabem mais do que na realidade sabem. A nossa posição entre os outros professores, ou da nossa escola entre as outras escolas, depende da sabedoria aparente dos nossos alunos; não dos seus conhecimentos reais, nem da eficácia com que eles possam vir a utilizar aquilo que sabem, nem mesmo se eles vão ser efectivamente capazes de o fazer. Quanto mais matéria formos capazes de “cobrir” nas nossas aulas, nas nossas disciplinas, ou em todo o ano lectivo, mais conceituados pareceremos; e quanto mais facilmente conseguirmos mostrar que, ao sairem da escola, os alunos sabiam aquilo que era suposto saberem, mais facilmente poderemos escapar à responsabilidade, quando mais tarde se descobre (o que normalmente acontece) que não sabem grande parte do que estudaram. (…)

“(…) Eu próprio já entrei neste jogo. Quando comecei a leccionar, achava, que a finalidade de um teste era testar, ou seja, descobrir o que os alunos sabiam de uma determinada matéria. Não demorei muito tempo a descobrir que se fizesse testes-surpresa aos meus alunos, cobrindo toda a matéria dada até à data, quase toda a gente reprovaria. Isto deixava-me mal visto e causava problemas à escola. Aprendi que a única maneira de obter uma percentagem respeitável de notas decentes, ou que dessem para passar, era anunciar os testes com bastante antecedência, dizer com algum pormenor qual a matéria que sairia e começar a fazer logo desde muito cedo bastantes exercícios do mesmo tipo que iriam sair no teste, a que dávamos o nome de revisões. Posteriormente, soube que os professores fazem isto em toda aparte. Sabemos que o que estamos a fazer não é realmente honesto, mas não ousamos ser os primeiros a parar e tentamos justificar-nos ou desculpar-nos quando dizemos que, afinal de contas, não é assim tão prejudicial quanto isso. Contudo, estamos errados: é bastante prejudicial. (…)”

“(…) Se as crianças se preocupam tanto com o fracasso, não será porque se importam demasiado com o sucesso e dependem muito dele? Não haverá, de uma maneira geral, demasiados elogios em relação ao bom trabalho nos anos mais elementares? Se, quando o Johnny faz um bom trabalho, o fizermos sentir “bem”, não podemos estar, sem intenção, a fazê-lo sentir-se “mal” quando faz um trabalho errado?
As crianças precisam mesmo de tantos elogios? Quando uma criança, depois de uma longa batalha, consegue finalmente fazer o puzzle do cubo, precisará mesmo que lhe digam que fez bem? Ela não saberá, sem que lho digam, que conseguiu fazer uma coisa bem feita? Na verdade, quando a elogiamos, não estaremos, talvez, a intrometer-nos no seu trabalho, roubando um pouco da sua glória, imiscuindo-nos no seu sucesso, fazendo elogios a nós mesmos por termos ajudado a fabricar uma criança tão esperta? A maioria dos elogios que os adultos fazem às crianças não será uma espécie de auto-elogio? Estou a pensar naquela maravilhosa composição que Nat escreveu sobre a sala de jantar da sua casa. Ao pensar nessa composição, vejo agora, para meu horror, que estou realmente a congratular-me pela participação que tive nela. Como ele é um rapaz inteligente! E que homem inteligente que eu sou por ter tomado parte do seu desenvolvimento!(…)”


JH- Dificuldades em aprender (How children fail)

Ed. Presença


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