Arquivo de Março, 2008

Ufff… (de como o cansaço pode ter sabor a gelado de morango)

Tal como previsto… novidades. E tantas!
No arranque da manhã, pelas 8 e pouco, enquanto aguardávamos pelos mais atrasados, fiz a ronda das férias, cada um na sua vez (eles gostam de contar e esvai-se assim alguma da energia em excesso com que nos chegam, depois da interrupção)… eu estive doente e eu fiz isto… e eu fui ali… e eu fui acolá…
Pelo meio, a B., cheia de vontade de partilhar o que fez com o scratch e o seu blogue nas férias diz:
Oh professora, adorei corrigir os erros do meu blogue com o vídeo que a professora fez para mim! Até falei disso lá!
(mais tarde no Scratch time… vi que há novos erros para ela corrigir… mas a motivação é grande para manter um blogue limpinho e bem escrito, portanto, estamos no caminho certo. Há que persistir. Eles têm tantas dificuldades na escrita que este tem sido, para alguns, uma forma de os fazer reflectir sobre o seu trabalho, de escrever e de melhorar a qualidade da sua escrita, tal como tem acontecido com o meu Kiko das borboletas que já está no 6º e fez imensos progressos desde o ano passado… Como devem imaginar, este tipo de atendimento tão personalizado tem muitos custos de tempo… coisa que a legislação não leva em conta. Eu é que não tenho culpa e como acredito que é neste cuidar próximo que reside alguma hipótese de sucesso, hei-de continuar a gritar enquanto puder para chamar a atenção.)

Pois é… tenho uma surpresa para aula de hoje.
Lembram-se do referencial cartesiano? Eu preciso de saber se compreenderam… se já sabem como o utilizar… e… fiz uma fichinha de propósito para aplicar hoje, apanhando-vos distraídos, esquecidos (a professora Dalila será testemunha de que não vos ajudarei a não ser com a leitura do enunciado, para ter a certeza de que os erros se devem às dúvidas matemáticas e não a outras). Vamos começar?
Preparei esta actividade na Páscoa. Queria saber quais eram as sobras de um segundo período às voltas com o Scratch e onde o referencial foi introduzido, depois de 15 dias de amêndoas. Mas queria que tal acontecesse sem revisão, sem estudo, sem preparação. É a melhor forma de saber o que guardaram, o alcance da compreensão e da aprendizagem, a dimensão das dúvidas. Depois, sim, depois trabalharei com os que sentiram mais dificuldade, tentando encontrar outros caminhos para todos chegarem onde é preciso.
Na essência a maioria percebeu o conceito. Alguns apenas trocam, em certos pontos, o x com o y, sobretudo no processo de colocação do ponto nas coordenadas indicadas e não no processo de identificar coordenadas de pontos já marcados. Alguns alunos completaram o trabalho praticamente sem erros, alguns não acabaram, embora estivessem no caminho adequado, outros revelaram maior dificuldade. Tenho presente que é um conteúdo do 7º ano e que estes meninos estão no 5º. Mais tarde farei o tratamento dos dados de forma pormenorizada para perceber algumas coisas e relacioná-las com outras… o mestrado sempre presente.
Guardarei estes exemplares, levarei novos para que cada um possa observar o que fez, analisar os erros (serão eles a corrigi-los) e depois voltarmos ao exercício novamente. Avaliação formativa… avaliação entranhada na acção. Avaliação formadora que ajuda a crescer, a aprender a persistir, a ser exigente, a evoluir.

E querem saber uma coisa, meninos?
Siiiim!
Para além disto serem conteúdos do 7º ano e vocês estarem no 5º… usei mesmo exercícios de um manual do 7º sem os alterar. Não preparei uma coisa mais simples…

Verdade?
Verdade!

Ensino-os a gostar de desafios que os arrastem para a frente… Nem todos avançam com a mesma segurança, mas cada um vai avançando como pode, porque eu não quero ninguém para trás e não páro de puxar!
Não lhes facilito o caminho… mas tento colocar obstáculos à medida. Procuro encontrar a medida certa, o que não é simples de equacionar com tantos meninos diferentes, com aquisições de base e medos diferentes. Mas isso é o trabalho do professor que não devia deixar nunca de ser uma espécie de investigador permanente, minuto a minuto, na análise dos problemas, para ensaiar hipóteses e procurar soluções.

Depois à tarde… aula de Ciências com eles. Umas revisões?
Lembram-se do Fado Hiphop da Bicharada que partilhei convosco no blogue da turma, feito há uns anos pelos alunos de outra turma com a minha ajuda? Tem de ser continuado… agora podia ser feito o das plantas…
Oh professora cante um bocadinho da música…
Aula de poucos minutos, só um tempo… pensei… O meu menino autista instável e a precisar de atenção, o meu outro menino que veio tardiamente pisa insistentemente a linha do abandono e da resistência às tarefas…

Por que não cantar?
Avancei…
Nem cinco minutos e já tinha o meu menino diferente a cantar feliz o fado, com uma afinação que os colegas elogiaram e que me apanhou de surpresa.

Animais da biosfera
tão diferentes que eles são
no revestimento do corpo
na forma e na dimensão.
Na forma como andam
ou seja locomoção
e nos alimentos que escolhem
para a sua alimentação(…)


o hiphop pelo meio, o outro menino a prender-se à ideia de apresentarmos a canção no final do ano e de tomarem em mãos a escrita do que falta, em AP, por exemplo, já com vontade de cantar mas ainda envergonhado… a turma ao rubro a esmerar-se. E, não, isto não é um rebuçado que disfarce seja o que for. Trabalhámos estes conteúdos seriamente com estratégias variadas no 1º e 2º Período… isto é um complemento de síntese… educação pela arte. Acredito no poder da música e vejo os efeitos dela nestas idades. Se vissem, ouvissem a felicidade empenhada, atenta e afinada do meu menino diferente cantando ora fado, ora hiphop, eu corrigindo as suas dificuldades de pronúncia, ele fazendo um esforço supremo para dizer as palavras como elas são, percebiam que há milagres que se fazem assim, de forma simples. Só com uma canção. Integra-se quando se encontra uma actividade exigente e partilhável no máximo da sua extensão.

Dali para a aula de apoio com o 6º. Tão bom revê-los e resolver problemas de todas as formas… Depois, sem intervalo, na mesma sala, mergulhei directamente no Scratch time, facultativo, vem quem quer e quer sempre tanta gente… hoje 17 alunos e tantos projectos, tantos entusiasmos! Aproveitei para pedir mais, exigir mais, sugerir que fizessem um esforço para evoluir na programação e não ficarem eternamente presos a projectos simplistas e pouco interactivos, só porque era mais fácil. E insistir cada vez mais na escrita das notas de campo dos projectos, mais completas, mais explícitas, mais reflectindo a verdadeira essência de cada caminho… e na correcção dos erros…

Depois de uma manhã cheia, andei em completa roda-viva entre as 13 e as 17 sem intervalo nem interrupção.
Agora aqui, ainda sem interrupção – são 20 horas, aproveito a teia para fixar no tempo os momentos do dia, recolher as impressões que mais tarde poderei vir a usar no mestrado.
Trato os vídeos feitos, as fotos, as minhas próprias notas de campo.
Doem-me as costas, tenho fome, preciso de parar um bocadinho mas, antes de parar (um parar que não é bem parar, porque tenho de continuar as leituras de férias) deixo aqui um dos vídeos do dia e um dos projectos que ficou concluído (se tiverem oportunidade, experimentem o delicioso e simples desafio proposto pelo Bocas)…

Não, no vídeo não disputo um telemóvel com ninguém. Não é um vídeo triste.
Ajudo, acompanho, alegro-me com as conquistas de uma menina pequenina que, tal como todos os outros nestas turmas, passo a passo se vai dirigindo ao futuro que será o seu e que ninguém consegue imaginar. Será um futuro com a tecnologia ainda mais entranhada na vida do que já está hoje, a única certeza.
Tentar prevenir o inevitável, enterrando a cabeça na areia, é próprio de quem parou no tempo e se consome em inútil lamúria.
Prefiro ajudá-los a dominar utilmente, serenamente, a tecnologia que os rodeia. Vou crescendo com eles e sirvo-me dela para os fazer crescer comigo em todos os sentidos possíveis.

Scratch Project

Hoje: encontro em SL… cef^SL08

 No blogue oficial da conferência pode ler-se:

A partir das 22 horas (GMT)/15 horas (SLT), juntem-se a nós no Utopia, onde vamos poder trocar ideias sobre o

cef^SL08
A Conferência sobre Comunicação, Educação e Formação no Second Life pretende reunir a comunidade científica, educativa e tecnológica nacional interessada no desenvolvimento do conhecimento e na partilha de experiências de utilização do Second Life como forma de complementar e enriquecer as experiências educativas nos mais diversos contextos de vida, de trabalho e de aprendizagem formal e informal.

Complexidade e Educação

Uma área que me interessa.

Recursos de excelente qualidade, aqui:

COMPLEXITY AND EDUCATION

This website is intended as a meeting place for educators and educational researchers whose work is informed and/or orientated by complexity. To this end, the site includes links to:
the community of
people currently interested in complexity and education.Anyone subscribed to this site can lodge their details on this site (subscribe now).
an
online journal Complicity: An International Journal of Complexity and Education.
the
annual conference of Complexity Science and Educational Research (CSER)which includes a link to the full conference proceedings for every conference thathas been held.
a glossary of terms
a list of references, including general
complexity references which address the issue of complexity per se, or complexity as it relates to fields other than education, and more specific complexity-in-education references.
a webliography comprising a list of
weblinks to other useful complexity websites.
a place to post notices or make
suggestions about the construction,elaboration and/or modification of the site
The decisions to build this site and to found an online academic journal were made during the first Complexity Science and Educational Research Conference, held in Edmonton, Alberta in October 2003. The site itself was conceived and developed at the University of Alberta by a group of professors and graduate students in the Faculty of Education.
We invite you to browse the site and to participate with us in its elaboration—whether through the
online journal, the annual conference, the noticeboard page, or simply by deciding to subscribe and then adding your details to the list of people making up our community of users.

Scratch…?

Foi publicado o artigo de divulgação Scratch…?, que escrevi para a secção de Tecnologias na Educação Matemática (da responsabilidade de José Duarte) da revista Educação e Matemática nº 96 de Janeiro/Fevereiro 2008 – Associação de Professores de Matemática.

(Provavelmente não devia divulgar já… mas eles vão desculpar-me a partilha…)

Joe Kincheloe…

De referência em referência, sigo no rasto de Joe Kincheloe por várias razões.

Já tinha comigo um livro que me abriu horizontes, uns artigos interessantes (por muitas razões: uma divergente reconhece facilmente outros divergentes…) e agora descobri mais este livro, que bem podia ter sido escrito recentemente por estas lusas bandas…
Na Amazon é possível “abrir” alguns livros e espreitar. Acontece isso com este e lá fui eu dar uma vista de olhos.


Deixo aqui alguns excertos significativos (podem continuar a leitura na Amazon AQUI).



Para além de tudo isto… descobri depois uma relação, que já nem me pareceu surpreendente porque plena de sentido(s), entre Kincheloe e o trabalho de Paulo Freire.
Aqui podem encontrar o projecto que os junta:
e, aqui, uma série de entrevistas (produzidas no âmbito deste projecto):

(Muitos) Recursos: Metodologias de investigação

Faculty of Education
University of British Columbia

EDUC500 “Resources for Research Methodologies” 

Methodological Genres Research Associations Research Software
Methodological Issues Research Resources Research Transcription
Methods & Proposal Guides Research Ethics Language Translation
Style Guides Theory Resources Journals
Writing & Publishing Guides Copyright Resources Library Guides
Lectures SPSS Tutorials  
Literature Reviews Research Tutorials Youth Indicators

Programando em Scratch – Relato da génese de um projecto

Lembram-se de vos falar do ffred?
Um programador excelente que encontrei por via das galerias do Scratch e que era afinal o pai de uma colega minha e avô de uma aluna do 5º ano da escola?

Pois… o ffred não pára…

Acabou de elaborar um excelente documento relatando a génese do seu projecto Fracções-4, que enviei para o MIT (página do Scratch) e pode ser encontrado aqui:
Programando em Scratch – Relato da génese de um projecto

Ora o Fracções-4 segue-se, naturalmente, aos três projectos anteriores em torno das fracções (Fracções-1, Fracções-2 e Fracções-3) que podem ser encontrados nas galerias do Scratch e são um óptimo instrumento de apoio ao ensino/trabalho com fracções…
Se quiserem experimentar… é só clicar!

Obrigada ffred!

Scratch Project

Scratch Project

Scratch Project

Scratch Project


RSS my delicious

  • Ocorreu um erro; é provável que o feed esteja indisponível. Tente novamente mais tarde.

Blog Stats

  • 164,923 hits
Março 2008
S T Q Q S S D
« Fev   Abr »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Categorias