Arquivo de 15 de Abril, 2008

Um dia (em) cheio

Concluído m dos trabalhos de grupo feitos em Ciências. O primeiro.

Os outros a bom ritmo.

Aula de Matemática de sexto ano intensa. Muitos problemas para resolver. Dia de maratona.
Aula de Matemática de 5º começada na rua – no jardim (algum menino deu conta da fechadura da nossa sala… teve de ser arrombada). Curta mas interessante.
Lembrar: logo à tarde não se esqueçam! Vamos novamente dar aula de scratch a professores… mas desta vez são coordenadores de Departamentos de Matemática de várias escolas e a sua supervisora (grupo da região, do Plano de Matemática).

Foi muito bom. Eles começam a sentir-se verdadeiros profissionais e, agora, sabem mais… variáveis, referencial cartesiano, o entusiasmo é grande. Marcação cerrada. Um aluno por cada professor, um professor ficou com duas alunas. Ninguém parado, atmosfera de trabalho. Claro, para não variar muito, ‘net sem funcionar. Os alunos tristes: oh professora assim não dá para mostrar projectos nossos, nem ensiná-los a fazer uma galeria deles, nem ensinar como se coloca um projecto nas galerias…

Pois, meninos, também eu tenho pena, não pude mostrar o site do scratch, os documentos de apoio em língua portuguesa… Por mais que me esforce a desilusão tem sempre de se entranhar pelos meandros da alegria. Nada a fazer… apenas esta irritaçãozinha surda que anda por aqui instalada. Nunca se consegue fazer o melhor… planeia-se tudo com cuidado para não ser possível fazer tudo o que se preparou… vezes demais, vezes demais…

Partilhamos essa revoltazinha em conjunto mas o essencial do dia salvou-se. Deixo-os contar felizes e entusiasmados o que se passou. Querem falar, explicar, ficaram comigo na sala para arrumarmos tudo e… acabámos assim, em amena cavaqueira…



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Pôr em causa… questionar… argumentar…

Bons sinais.

(Turma de 5º ano.)
Duas alunas apresentando um trabalho, feito em grupo, sobre estatística (esta unidade tem estado a ser trabalhada autonomamente, depois de algumas indicações, orientações e esclarecimento de dúvidas sempre que o solicitam)… Terão ainda de fazer trabalho individual analisando a frequência de visitas, downloads e registo como favoritos dos seus projectos scratch e comentando os resultados do estudo… Um desafio não fácil que já começa a dar frutos com a apresentação do primeiro trabalho e de parte do segundo (com características diferentes do primeiro). Uma nota de muito louvor para a paciência dos pais na introdução ao excel feita aos seus rebentos (não serei eu a fazê-lo à maioria por conta do erro de não ser sua professora de AP, do facto destas crianças não terem acesso à sala de informática nem aos portáteis às horas em que têm AP e EA – há TIC de 9º, há TIC em AP de 8º…. esta última uma invenção posterior ao nosso projecto dos portáteis que fez com que, contrariamente ao estabelecido nas regras, esta minha turma que integra o dito projecto não tenha acesso a eles quando necessita… maravilhoso! Gosto imenso destes planos tecnológicos que prometem que um dia é que vai ser e esquecem o agora… desculpem o azedume… mas é mesmo azedo o desabafo.)

Voltando às alunas.
Professora, perguntámos aos colegas os gostos deles sobre cantores e também sobre animais…
Cartaz, explicações, tabelas de frequência e gráficos…
Um dedo no ar…
Oh professora! Se cada aluno respondeu uma vez, como é que elas podem ter aqueles valores todos? Só podia dar 22 no máximo, juntando tudo!
Viro-me para as meninas… pois… não pode ser, pois não?
Mas nós arredondámos!
Arredondaram? Acho que não estão a entender o conceito de arredondamento… esclareci.
Voltam à carga.
Mas, professora, eles não disseram só um cantor ou um animal, disseram vários!
Viro-me para quem levantou a questão: Que me dizes do argumento delas? Assim já pode surgir um valor maior do que 22, verdade?
Sim, mas não está certo na mesma!
Então porquê?
Porque mesmo que cada um desse 4 respostas cada (quatro cantores e quatro animais possíveis) o máximo seria 88! Nunca podiam ser esses valores tão grandes que elas têm aí! Outros que acompanharam a discussão confirmaram: pois… quatro vezes vinte e dois…

Meninas?
Pois… eles têm razão… temos de fazer o trabalho outra vez.

Ainda fiz um pequeno balanço, valorizando a intervenção de F. (que ousou colocar em causa o trabalho das colegas porque estava atento, relacionou o que sabia e confiou suficientemente em si para o fazer), a resposta das meninas, que perceberam o facto de poderem ter um valor acima de 22 por não exigirem apenas uma resposta a cada colega, a contra-argumentação…
Demora tempo, pois demora. E tenho de estar atenta às oportunidades que permitem exploração. Mais tempo do que o que disponho para tudo…

Mas…
Só desejo que volte a acontecer e pela boca de mais meninos.
Seria sinal de que estava realmente a conseguir chegar onde desejo…

(Com a habitual angústia da falta de tempo para fazer tudo o que é necessário, com a revolta de não ter as condições necessárias para fazer mais e mais correctamente, embora tenha o savoir-faire, a vontade e as ideias… lá vou convivendo como posso! Nem sempre muito bem, confesso. São muitos anos nesta luta sempre igual, mais de vinte, algum cansaço pois e um secreto desejo de poder trabalhar com as condições certas oferecendo tudo aos meninos que merecem tanto e têm sempre tão pouco…)


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