As teias… ai as teias…

Continuando então a acreditar que o mundo pode ser salvo e que temos uma palavra a dizer sobre o assunto, hoje tive mais uma prova de que podemos ir fazendo a diferença através daqueles a quem lançamos os nossos fios.

Uma das minhas colegas a quem a Turbêturma lançou o feitiço do scratch numa sessão preparada para o efeito em Área de Projecto (precisamente para que as suas professoras os pudessem acompanhar nos trabalhos), ficou tão entusiasmada que conversou comigo para que os fios se estendessem à sua direcção de turma de 5º ano (turma complicada), através destes alunos do sexto ano.
Essa sessão aconteceu na quarta e só hoje soube como foi.

A minha colega veio ter comigo muito entusiasmada contando que os meus seis meninos do 6º cativaram por completo a audiência difícil de 5º. Uma das alunas impôs mesmo que eles se reorganizassem de forma diferente, pois não queria ver rapazes de um lado e raparigas de outro e disse isso mesmo às professoras da turma.
Nem imaginas! dizia a minha colega Eles que nunca aceitam nada e é tudo uma dificuldade, obedeceram aos do 6º e estiveram sempre caladinhos e muito atentos a tudo o que estava a acontecer. Estavam entusiasmadíssimos!

Mais uma vez soube que não havia Internet nos portáteis (dá para acreditar?) e os alunos da Turbêturma não conseguiram ensinar os seus coleguinhas mais novos a criar uma conta no site, a descarregar e instalar o scratch. Mas não se atrapalharam. Passaram logo à acção com o programa e na segunda hora já os mais pequeninos experimentavam comandos, colocavam o gato a rodar, a mexer, enquanto os meus seis circulavam pela sala ajudando, aconselhando, corrigindo.
Tão importante e estruturante para os alunos que “oferecem” como para os que “recebem”… Uma estratégia de desmultiplicação que se foi instituindo a partir da minha ideia inicial de o fazer com os meus colegas de Departamento, depois com colegas das duas turmas que usam o Scratch, a seguir com colegas de outras escolas (coordenadores de Departamentos de Matemática) e agora directamente com alunos. Estratégia que parece estar a dar alguns curiosos frutos e merecerá um cantinho de reflexão no mestrado (mais do ponto de vista da importância para o crescimento dos meus alunos, do que do ponto de vista das consequências posteriores noutros, pois não tenho condições para acompanhar objectivamente e com rigor o alcance dos fios que vão sendo lançados, nomeadamente noutras escolas cujos professores levaram daqui a semente).

Enfim. Eu na Faculdade a essa hora. Pena que ninguém tenha filmado o que aconteceu, porque teria sido um registo verdadeiramente interessante.
Agora irei conversar com os alunos que fizeram a formação (e que irão voltar à turma de vez em quando), com as professoras que assistiram (será bom perceber as características da turma, descrita como “complicada”, e em que medida o trabalho agora iniciado com a ferramenta introduziu alguma pequena mudança digna de registo e relacionada com estas actividades…) e, mais tarde, também com os alunos da turma de quinto ano.

Não vai parar por aqui. A Directora de Turma da Turbêturma (e professora de AP – também apanhada pelo feitiço) quer agora que os alunos façam o mesmo numa outra turma sua…

São as teias, as teias…

(E a esperança insistindo em renascer.)


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