Alegrias e perguntas…

Ontem não falei de como o meu menino da carta depois de, novamente, ter passado por um período complexo, parece finalmente ter escutado e acreditado no carinho que lhe queremos depositar no colo, na ajuda que lhe queremos dar (e que não passa por retirar os obstáculos do caminho). Passei bastante tempo com ele no Scratch time, ontem (a alegria de gravar a sua voz em jeito de grito desesperado, para a oferecer a um boneco que cai do avião e é salvo por um tapete mágico, vezes sem conta…).
O que queres fazer? Continuar a desenvolver o teu projecto? Sim!
No final pedi e ajudou-me, junto com os outros, a arrumar os computadores. Foi o último a sair.

Nunca mais faltou um caderno na aula, nem uma lição por escrever, nem um sumário por fazer, nem um registo por copiar, sempre a horas na aula, tudo pronto para começar. A última conversa, na sequência de uma ausência e de um retorno em que passava novamente o tempo prostrado sem nada fazer, foi sofrida e longa mas parece ter tido o certo tom. No seu jeito muito peculiar, aceita a interacção comigo, mostra-se curioso, começa a fazer perguntas.
Fazer perguntas é muito mais que meio caminho para qualquer salvação…

Hoje a prova de fogo… um pequeno teste de avaliação sobre um tema simples, ao seu alcance, mesmo sem grande preparação: estatística.
Pela primeira vez vi-o entregar-se à tarefa de corpo e alma, parando apenas no final para me dizer que não estava a perceber o que se pretendia na última pergunta. Não precisei de lhe dar mais do que uma minúscula pista… completou o trabalho.

E eu estou contente. Muito contente.
Não é o teste, não é o resultado (Bom – ele, sim, vai ficar tão feliz!)… é a atitude, a postura, o sorriso, o envolvimento… A crença renovada de que apesar de sermos pequeninos e frágeis, o mundo contra nós, podemos tomar o destino nas mãos em vez de nos deixarmos atolar indiferentes, cansados das injustiças, sem reacção, dispostos a morrer sem lutar. É assustador ver uma criança à nossa frente a tentar desistir de ser…

E este facto novo do sucesso não forjado, do sucesso merecido e genuíno, a trazê-lo para mais perto de nós. Quem o viu há uns meses… quem o vê agora. Foi uma felicidade termos conseguido encontrar um caminho para o ajudar… Recebo infinitamente mais do que dei quando vejo um patinho a transformar-se em cisne à minha frente por sua própria vontade. A força está dentro dele, o desejo de metamorfose tem de existir, nós só podemos almejar conseguir dizer/ser a palavra e o gesto mais certos no momento adequado.
Pena que seja tão difícil ver o óbvio a quem nos quer transformar em meros funcionários sem tempo de qualidade para dedicar a todos.

Se o tempo continuar a desaparecer, se a energia começar a faltar à maioria dos guardiões do templo, a quem pedirão ajuda estas crianças?
Quem estará lá um dia para as proteger?


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