Dá para acreditar? Só coisas boas…

Hoje que mentalizei toda a gente para o facto de termos de aprender a viver com as dificuldades, de não podermos baixar os braços e ser preciso avançar independentemente de não haver ‘net quando precisamos… que o entusiasmo pelos projectos na aula de matemática os levou (dezoito! quase a turma toda) a frequentar o Scratch time à tarde… havia internet em muitos portáteis!

Foi uma alegria para eles. E útil em todos os sentidos. E moralizador… bem precisávamos!

É claro que alguns rapidamente me avisaram que iam aproveitar para trabalhar nos blogues… mas a maioria manteve-se firmemente presa aos projectos. Dos dois de que dei conta à hora de almoço, um foi concluído (deixo aqui ligação) o outro está quase… tendo os Gonfabijo (parceria de dois) conseguido resolver a questão da noite e do dia de forma soberba (darei conta logo que publicado, deixo excerto de vídeo) e feito um script de “um metro e tal” para que pudessem a todo o momento estar presentes no écran as posições do caracol… mostraram-me no caderno a planificação da situação que pensei ter registado em vídeo… mas não. Escapou-me algo. Os restantes projectos continuaram a bom ritmo e registei em vídeo muitos dos momentos interessantes dos caminhos, estratégias, cálculos e raciocínios elaborados… esqueço-me de que têm 10 anos.

Mas o que deixo aqui hoje de mais doce foi uma das conversas finais… As três gatinhas Bia, Mia e Nocas chamaram-me entusiasmadas para eu poder ver o site que haviam descoberto com “imagens mesmo lindas para os nossos blogues”! Fui, de câmara ligada. E sempre a dar-lhes conta do juízo por causa dos erros ortográficos, mas feliz por ver como a escrita se lhes torna aos poucos tão necessária como respirar… As dificuldades persistem e todas as ocasiões têm de ser aproveitadas (não me achem cruel perante o entusiasmo delas… ele não esmorece). A Mia a quem fui fazendo as maiores correcções, no final perguntava se podiam ficar na sala até “amanhã” pois tinha adorado. Não posso adiar a preocupação com a língua. Hoje dizer ai que fofo e amanhã… olha, a propósito, ontem não te disse, mas tens lá muitos erros para corrigir. Respeito-os demais para lhes fazer isso. Criada que foi a relação de confiança, os meus reparos não desmotivam, estou certa que estimulam e tenho recolhido prova dessa evidência. A Bia, a quem ainda hoje corrigi também erros, foi ao blogue da Butterfly e alertou-a para uma gralha no texto de uma sua entrada. Descobri por acaso – ver vídeo. O entusiasmo é enorme e cresce. Ai eu gosto tanto de ter um blogue, foi uma das últimas frases da Mia (já não registada em vídeo). Terei um dia de lhes perguntar o porquê do fascínio… Há algo aqui relacionado com o livro The second self… Os computadores, a tecnologia, estão intimamente relacionados com a forma como pensamos sobre nós e sobre as coisas… a forma como nos vemos, como nos relacionamos com o mundo. Há brilhos nos olhos que transcendem o domínio técnico, felicidades incontidas que vão além de apenas mais uma imagem fofinha e gira. Para eles, nascidos nesta era, acredito que condicionem a sua forma de estar e pensar. Por isso a educação tem de definir os caminhos tendo em conta esta nova natureza dos alunos e, por isso mesmo, pedindo-lhes muito mais do que o que lhes tem sido pedido até hoje. Eles vão ser capazes.
No final da conversa, a Bia diz algo que de certa forma confirma o que não é novo e devemos ter presente sempre. Brincamos às coisas dos adultos e assim nos apropriamos do universo deles que um dia será o nosso. Pais e mães, soldados, polícias, guerras… e… fazer blogues… Ao escutar a Bia ganho cada vez mais consciência da importância do modelo de si que o professor oferece… da pontualidade à exigência, da alegria ao empenhamento, da aprendizagem permanente à construção de um blogue, bebem de nós o mais oculto sem muitas vezes sabermos ao certo o quê nem como. Por isso gosto de me desocultar à sua vista e partilhar conscientemente com eles o meu universo.

Acho que são essas as melhores lições que tenho para lhes oferecer…

Scratch Project

Ao mesmo tempo que este fervilhar imenso acontecia… três alunas do sexto ano (do grupo de oito que vieram ao apoio) pediram para ficar na sala a estudar para as provas de aferição. Professora, será que a gente podia usar o quadro branco? Hummmm… vá… levem a mesa para lá, tomem lá a minha caneta e estejam à vontade. Foi belo vê-las ao longe a trabalhar, resolvendo problemas no quadro, organizando-se à vez para a magia de estarem entregues a si, caneta da professora na mão, um quadro inteirinho à sua disposição!

No meio de tudo isto, desde Domingo que a má cura da semana anterior deu lugar a recaída, desta vez em torno dos pulmões e a meio da toma da segunda caixa de antibiótico. Confesso a febre regressando hoje ao longo do dia… a tosse e o habitual ardor no peito a crescerem, mas admito também que por nada deste mundo perderia este dia maravilhoso. Não há melhor comprimido do que o que se oferece à alma. E a felicidade do espírito ajuda a curar os males do corpo. Se não podemos ir para a cama, ao menos que os dias sejam todos assim… Embora… o problema da necessidade de clonagem persista. Hoje com 21 a chamar por mim… deve ter-me escapado muita coisa bonita e importante…

E fazer esta entrada com um gato à frente do écran durante algum tempo, também não foi tarefa fácil…


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