Geração Best

O entusiasmo tem sido grande.
Os momentos de “chuva de ideias” (em AP) até conseguirmos um nome e assinatura do gosto de TODOS, sem excepção, permitiram momentos interessantes de gestão de conflitos (turma complexa…), desenvolvimento da capacidade de argumentação, criatividade, comunicação entre todos com respeito pelas ideias de cada um, envolvimento activo dos não nativos que dominam precariamente a língua portuguesa (três alunos)…
Esta é uma turma cujo diagnóstico revelou muitas fragilidades de vários tipos…
É bom senti-los já envolvidos, desejando ser melhores, sempre… Geração Best foi a escolha e empolgam-se com boas intenções para este ano, levados pelo entusiasmo…
Queremos animá-los a não desistir, a esforçarem-se, porque sem esforço nada se conquista. Este tem sido um trabalho muito mais virado para o seu interior (auto-estima fragilizada em muitos, com comportamentos decorrentes dos medos e inseguranças de quem pouco espera de si próprio, que chamam a atenção nem sempre pelas melhores razões)… E eles começam a perceber o carinho dos professores e estão receptivos à mudança… Aguardemos…

Em EVT estão a trabalhar o conceito de logotipo… na aula de AP ficou decidido trabalhar naquela disciplina o estudo de um muito especial para a turma/blogue (o par sou eu e a professora de EVT). Divulgar-se-ão os trabalhos de todos no blogue (alunos ofereceram-se para os digitalizar em casa) e a turma escolhe o que deseja ver como símbolo “de si”.
Sugerimos o Imagine como hino… há alunos que já sabem cantar a canção (foram para casa procurar e escutar… muitos pais fãs registaram com agrado o interesse dos filhotes e acarinharam), imprimiram a letra para levar para a aula de Inglês. Na aula de AP, em que construímos finalmente o blogue, escutámos em silêncio… fomos partilhando em português o significado do poema.
Um aluno perguntou se podia ir investigar a história de John Lennon e fazer uma biografia para divulgar no blogue (é que a morte trágica acabou por ter de ser tema de conversa…). Já começou…
Um deles, descobri hoje quem foi, acrescentou já ao blogue a partir de casa uma barra de vídeos com a canção Imagine
Querem partilhar livros lidos, filmes vistos, trabalhos feitos ao longo do ano…
Já estão a escrever com vontade nos cadernos (mesmo os que não gostam de escrever) apresentações pessoais em português… que terão de ser também escritas em inglês… e até em moldavo… em russo…
Hoje, ensaiámos a experiência com o computador pessoal de uma aluna (pouco fala português) que tem os caracteres necessários. Resultou e foi bom vê-la feliz e a aproximar-se de nós. Perguntou se podia, por exemplo, fazer os textos e projectos Scratch em duas línguas – russo e português (eu escrevo melhor russo que a minha língua ucraniana). Vai ser um blogue diferente este que agora está a nascer… Ajusta-se tudo às necessidade deles, aos problemas detectados… procurando que todos cheguem lá… onde é preciso e urgente chegar, com exigência. Alguns alunos, entusiasmados, até decidiram começar já a escrever uma história… Dois fizeram hoje uma entrada pequenina.

Muitos familiares de alguns meninos estão espalhados pelo mundo. O blogue será uma maneira de aproximar todos, de manter contacto, de unir.
Como sempre… as TIC não serão o fim… serão o meio (de partilha com o mundo, neste caso) para gerar vontade de trabalhar “com as mãos”… desenhando, escrevendo, escutando… descobrindo outros sons e sabores para além dos da moda. Mas, pelo meio, podem ser educados para a correcta e responsável partilha de conteúdos pessoais através da Internet, educação para o uso responsável e equilibrado das TIC. Tudo se aproveita.
Professores e famílias têm responsabilidade acrescida nestes tempos em que facilmente se cede ao digital pelo digital. Em que, deixado ao acaso, sem mediação, sem controlo do tempo, das ferramentas, ou dos conteúdos, o contacto da criança com o computador (tal como o contacto com outras “ferramentas”) empobrece e limita em vez de enriquecer e alargar horizontes. Dá trabalho acrescido a pais e professores pensar no como fazer e como acompanhar os miúdos?
Tudo o que vale a pena, dá muito trabalho.
As gerações que estão a nascer e a crescer têm um caso de amor com o digital desde muito cedo nas suas vidas. Para que não se torne um amor de perdição, uma atracção fatal que os consuma… são precisos gestos, é preciso semear equilíbrios dentro das crianças e dos jovens.
Explicar-lhes, provar-lhes, dar-lhes exemplos pessoais e próximos de que vida é feita de todas as coisas juntas…
Tarefa fácil? Não…
E exige tempo, muito tempo… Coisa que esta sociedade de vertigem, esta política de números e lucros, esta vida de stress e aceleração constante esquecem em todos os minutos roubados, sorvidos (raramente oferecidos ou saboreados).
Tenho pena que assim seja.
Com uma mão dá-se, com a outra tira-se.
Com mais tempo… teríamos todos tempo para fazer melhores coisas com o tempo que houvesse.
Tempo para sermos melhores.
Provavelmente…
… tempo para sermos os melhores.


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