Arquivo de Janeiro, 2009

Problemas e tecnologias variadas…

Um problema…

Tempo… paciência… não impor modelos de resolução… Deixá-los pensar… relacionar… compreender e procurar os seus caminhos…
Corrigir “indicações”… apoiar aqui e ali…
.


Fazer a síntese das várias estradas usadas e reforçar a importância de se encaminharem (quem ainda lá não chegou) para a “elegância” e simplicidade que o cálculo matemático empresta à resolução dos problemas, sem termos de nos suportar sempre “em muletas gráficas de apoio”… importantes, mas para aos poucos irem sendo substituídas por formas de resolução mais eficazes…

Depois dessa aula, na mesma tarde, um aluno recria em Scratch toda a situação.
(Estudar pode ser de tantas formas!)

Scratch Project


Continuaremos as aventuras pelos problemas…

E eu adoro quadros negros, lápis, papel e, também, “outras tecnologias”…

Falta de tempo?

Todo o tempo do mundo para eles…

Ajudo, mimo e teço por onde consigo

http://scratchtime.blogs.sapo.pt/

http://gtscratch.blogspot.com/

http://www.geracaobest.blogspot.com/

Destaco algumas das produções que aqueceram a semana neste tempo frio:

Scratch Project

Scratch Project

Scratch Project

(Há mais… mas precisam de um cantinho só para eles 🙂

Hyperscore: de fio em fio até…

MIT Media Lab… no twitter isto: Manufacturing Greatness: How Technology Aids Creativity

depois… chegar aqui… e apetecer experimentar… (ai o apelo do consumo tecnológico!).
http://www.hyperscore.com/harmony_line/about_hyperscore.php

escutar, ver…

Não resisti. Comprei online… 79 dólares americanos. Pronto. Tudo numa madrugada há uns dias. Testei rapidamente (em poucos minutos percebi o que fazer) e gostei do possível encerrado na ferramenta. Umas ideias.

Hoje, em meia hora manhã muito cedo, experimentar para descontrair… Para perceber o que é isto e o que se consegue em pouco tempo sem grande primor. Tenho de viver estes prazeres apenas nas horas invisíveis do dia.

Depois o Fausto deu mais pistas… A versão 3.9 ainda anda pela ‘net e pode ser descarregada gratuitamente… Hummmm. Bom para poder testar um dia com alunos. Som próprio e original para vídeos e projectos Scratch? E, depois, ainda encontrou isto (FPCE da Universidade do Porto):

Hyperscore nas escolas
Início: 2006-3
Conclusão Prevista: 2007-6

Resumo: O “Hyperscore nas Escolas” é um projecto pedagógico e de investigação desenvolvido em colaboração com Harmony Line/MIT (Massachusetts Institute of Technology). Este projecto teve início em Março de 2006 e terminará em Julho 2007. O projecto abrange 10 escolas do ensino genérico, onde foi instalado o software Hyperscore, um software de composição musical inventado por Tod Machover no Media Lab do MIT. A sua utilização pelos professores de Educação Musical nas suas aulas será acompanhada por uma equipa de investigação, da qual fazem parte os seguintes investigadores: – CIIE, – CIPEM (Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical) da Escola Superior de Educação do Porto, – Outros investigadores.

Cores e formas da música que pintei…

Escutar esta primeira experiência (muito aleatória) AQUI (não se assustem… é como colocar tintas nas mãos de uma criança e deixá-la espalhá-las no papel como lhe apetecer, quase sem regras…)

Desafiar… Reconhecer… Desafiar mais…

Anda há pouco estava na aula de Ciências com os meus pioneiros do Scratch e, ao dar um pulinho rápido ao portal português, descubro que os desafios da aula já estavam a frutificar.
Mas frutificaram de forma doce: num aluno que este ano ainda não havia regressado ao Scratch, apesar de ser um programador com muito talento.

Se o acontecimento é alheio ao evento de sexta?
Não. Recolhemos e recolheremos por muito tempo o fruto de terem visto o seu trabalho reconhecido e valorizado. Algo tão simples e tão poderoso.
E mais dois alunos vão regressar. O entusiasmo uniu-os a todos de novo em torno do desafio de chegar mais longe.

Porque vivemos tempos de muitas solicitações e, na vida deles, não há lugar para tudo. Têm de fazer escolhas. E depois alterá-las se sentirem que vale a pena.

Dou-me por feliz quando sinto que os desafios têm eco neles.
A minha Buterfly (só com um t de propósito) saíu da aula com um esboço feito no caderno para um projecto sobre o sangue (aqueles planos dela são sempre preciosos) e o Bocas já levava o dele na cabeça sem me dizer nada.
Falávamos há umas horitas da constituição do sangue e das funções dos constituintes e aí está já um projecto sobre os temas que abordámos hoje na aula… Só mais umas pequenas correcções e fica perfeito (por isso não publico ainda aqui). Podem consultar na sua conta Scratch: http://kids.sapo.pt/scratch/users/bocas


Eles já sabem… quando levo a mão à cabeça e interrompo um pensamento… dizem: Lá vai a professora ter mais uma ideia e fazer-nos uns desafios para projectos no Scratch… 🙂

Não se enganam. É mais forte do que eu.

Conhecem-me (tão) bem! (E eu a eles…)

Tempo de escutar… tempo de desafiar…

Dá-me um prazer imenso, no pouco tempo que tenho, escutar as crianças falar do seu trabalho… Precisam dessa atenção para crescer do lado certo da vida. Aqui, no Clube, com alunos que às vezes não são meus (é o caso da Supergirlie – 5º ano, 10 anos) procuro seguir o exemplo do mestre Zen que explicava ao seu discípulo como se alcançava a iluminação da verdadeira sabedoria: comendo, bebendo e dormindo. Ao espanto do aluno que, como argumento, insistia que todos faziam isso, o mestre respondeu: pois é… mas nem todos comem quando comem, bebem quando bebem e dormem quando dormem. Queria ele significar que a nossa mente tem de reaprender a estar onde nós estamos, atenta ao que fazemos, à magia do momento presente, sem fugir sempre, divagar para onde as preocupações a arrastam. Treina-se essa postura e capacidade com os gestos simples e mais acessórios, para que perdure nos que são verdadeiramente essenciais.
Quando escuto uma criança, escuto-a. Não estou noutro lado qualquer. Estou com ela. Apenas com ela. É como beber uma chávena de chá sentindo o aroma, o sabor, o calor da chávena nas mãos e tomar consciência de tudo isso sem deixar a mente desviar-se um milímetro sequer das sensações ali, naquela hora.

Isso só pode acontecer numa Escola crítica, com tempo, respeito, serenidade, pacificação…
Essa é escola que eu imagino, desenho mentalmente todos os dias… muito diferente desta que temos. É por uma Escola digna desse nome que cumpro os gestos diários com as crianças que acolho e escuto. É por ela e por elas que luto.

Ele regressou…

Cheguei a temer que não. Que se interromperia o caminho que começámos juntos.

A tensão em que esteve, a suspensão de dez dias antes das férias do Natal e depois o tempo de Natal afastaram-no de mim e do Clube por quase um mês. Ao regressar em Janeiro, mal o vi no pátio fui ter com ele e perguntei: conto contigo na quinta? Claro s’tora!

E veio. Continua a regressar. Na última sessão as conversas andaram em torno da Matemática, mas as falhas no equipamento não permitiram captar tudo, nem a coisa mais engraçada que disse nesse dia. Vão reparar na sequência da nossa conversa (partes 1 e 2, interrompidas pela falha do carregador)… referencial cartesiano… números negativos… operações. Ele está no 5º ano há três anos e tem 14 anos… Depois de ter finalmente experimentado y=3 e ter resultado (já não captei em vídeo)… e lhe ter mostrado novamente o referencial cartesiano, a luz chegou e percebeu a lógica dos números inscritos nele. Eu só lhe dizia: não sei o que é que estás à espera de despachar o quinto ano… Estás a ir às aulas? A chegar a horas? Tu até já andas aqui às voltas com a matemática do 7º ano! Esquecido de algo que já lhe dissera antes (e que vocês escutam no vídeo, a propósito do 7º ano), perdido no entusiasmo de encontrar solução para os problemas, olhou para mim admirado e perguntou meio incrédulo: isto é matemática?

Com esta pergunta do meu menino grande, que não pertence às minhas turmas, mas bem podia pertencer, tive a clara consciência de que pouco me importam as estatísticas e os estudos. Se esta ferramenta salvar uma criança que seja do mundo escuro do nada, já cumpriu a sua missão e provou ser útil. Muito mais útil que os formulários que nos obrigam a preencher sobre estas crianças gastando o tempo necessário para o mais importante: estar com eles, conversar com eles, desafiá-los e apoiá-los quando querem e precisam.

Simplicidade…

Seria difícil alguém falar com maior simplicidade, sobre as origens e razões do Scratch, do que o Fausto da PT Inovação, responsável pela criação do portal português e aplicação própria na nossa língua. Percebe-se nesta história a alma de professor que ali mora e não foi por acaso que, ao dar com estas teias, percebeu a enorme importância de tudo isto e a necessidade de ajudar a criar um ninho, um porto de abrigo para os mais pequenos se iniciarem no Scratch de forma ainda mais simples: podendo discutir e partilhar facilmente as conquistas feitas e aprender mais e mais depressa, construindo solidamente as asas que os levarão um dia, se desejarem, a outras aventuras. Deixo aqui um bocadinho dessa história:

(…) Durante o jantar da passada 5ª feira tive o privilégio de poder ouvir da boca do próprio Mitch Resnick como nasceu o Scratch e porque é que ele surgiu e divergiu do Etoys, a partir de diferentes pontos de vista entre ele e o seu amigo Alan Kay (de quem já aqui falei). Independentemente de todos os outros aspectos cruciais, da partilha, da reutilização, das competências sociais, fiquei deliciado por compreender que o leitmotif do aparecimento do Scratch foi exactamente essa busca da simplicidade, o apelo à utilização intuitiva, a procura de uma óptima “primeira impressão”. Numa óptica de primeira experiência de aprendizagem, o Scratch distingue-se do Etoys, do Alice e de outros ambientes na mesma linha precisamente por ser simples, por levantar menos obstáculos à compreensão, por remover complexidade e deixar o jovem aspirante a criador de animações, jogos, histórias e conteúdo completamente confiante e à vontade.
É uma pena
Einstein não ser chinês, porque agora vinha mesmo a calhar citar a sua máxima “tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso“…


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