Arquivo de 18 de Janeiro, 2009

Ele regressou…

Cheguei a temer que não. Que se interromperia o caminho que começámos juntos.

A tensão em que esteve, a suspensão de dez dias antes das férias do Natal e depois o tempo de Natal afastaram-no de mim e do Clube por quase um mês. Ao regressar em Janeiro, mal o vi no pátio fui ter com ele e perguntei: conto contigo na quinta? Claro s’tora!

E veio. Continua a regressar. Na última sessão as conversas andaram em torno da Matemática, mas as falhas no equipamento não permitiram captar tudo, nem a coisa mais engraçada que disse nesse dia. Vão reparar na sequência da nossa conversa (partes 1 e 2, interrompidas pela falha do carregador)… referencial cartesiano… números negativos… operações. Ele está no 5º ano há três anos e tem 14 anos… Depois de ter finalmente experimentado y=3 e ter resultado (já não captei em vídeo)… e lhe ter mostrado novamente o referencial cartesiano, a luz chegou e percebeu a lógica dos números inscritos nele. Eu só lhe dizia: não sei o que é que estás à espera de despachar o quinto ano… Estás a ir às aulas? A chegar a horas? Tu até já andas aqui às voltas com a matemática do 7º ano! Esquecido de algo que já lhe dissera antes (e que vocês escutam no vídeo, a propósito do 7º ano), perdido no entusiasmo de encontrar solução para os problemas, olhou para mim admirado e perguntou meio incrédulo: isto é matemática?

Com esta pergunta do meu menino grande, que não pertence às minhas turmas, mas bem podia pertencer, tive a clara consciência de que pouco me importam as estatísticas e os estudos. Se esta ferramenta salvar uma criança que seja do mundo escuro do nada, já cumpriu a sua missão e provou ser útil. Muito mais útil que os formulários que nos obrigam a preencher sobre estas crianças gastando o tempo necessário para o mais importante: estar com eles, conversar com eles, desafiá-los e apoiá-los quando querem e precisam.

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Simplicidade…

Seria difícil alguém falar com maior simplicidade, sobre as origens e razões do Scratch, do que o Fausto da PT Inovação, responsável pela criação do portal português e aplicação própria na nossa língua. Percebe-se nesta história a alma de professor que ali mora e não foi por acaso que, ao dar com estas teias, percebeu a enorme importância de tudo isto e a necessidade de ajudar a criar um ninho, um porto de abrigo para os mais pequenos se iniciarem no Scratch de forma ainda mais simples: podendo discutir e partilhar facilmente as conquistas feitas e aprender mais e mais depressa, construindo solidamente as asas que os levarão um dia, se desejarem, a outras aventuras. Deixo aqui um bocadinho dessa história:

(…) Durante o jantar da passada 5ª feira tive o privilégio de poder ouvir da boca do próprio Mitch Resnick como nasceu o Scratch e porque é que ele surgiu e divergiu do Etoys, a partir de diferentes pontos de vista entre ele e o seu amigo Alan Kay (de quem já aqui falei). Independentemente de todos os outros aspectos cruciais, da partilha, da reutilização, das competências sociais, fiquei deliciado por compreender que o leitmotif do aparecimento do Scratch foi exactamente essa busca da simplicidade, o apelo à utilização intuitiva, a procura de uma óptima “primeira impressão”. Numa óptica de primeira experiência de aprendizagem, o Scratch distingue-se do Etoys, do Alice e de outros ambientes na mesma linha precisamente por ser simples, por levantar menos obstáculos à compreensão, por remover complexidade e deixar o jovem aspirante a criador de animações, jogos, histórias e conteúdo completamente confiante e à vontade.
É uma pena
Einstein não ser chinês, porque agora vinha mesmo a calhar citar a sua máxima “tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso“…


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