Hábitos mortais (desaprender a pedagogia)

Fui andando…
http://www.jld.qut.edu.au/
http://www.jld.qut.edu.au/publications/vol1no1/
http://www.jld.qut.edu.au/publications/vol1no1/documents/unlearning_pedagogy.pdf

Cheguei aqui (um texto provocador):

UNLEARNING PEDAGOGY
Erica McWilliam
Faculty of Education
Queensland University of Technology, AUSTRALIA

Abstract
Our teaching and learning habits are useful but they can also be deadly.They are useful when the conditions in which they work are predictable and stable. But what happens if and when the bottom falls out of the stable social world in and for which we learn? Is it possible that learning itself – learning as we have come to enact it habitually – may no longer be particularly useful? Could it be that the very habits that have served us so well in stable times might actually become impediments to social success, even to social survival? This paper explores reasons why we may need to give up on some of our deeply held beliefs about teaching and learning in order to better prepare young people for their social futures.

Keywords
Pedagogy, deadly habits

Deadly Habit No. 6: The more we know our students, the better.
If failure is to become an integral part of our pedagogical processes, then there is work to be done to uncouple the snug relationship that currently exists between education and personal therapy. I have written at length on this topic (See Chapter 3 of Pedagogical Pleasures) and I do not intend to reiterate that entire argument here. However, because this paper imagines a newly emergent pedagogical process, the relationships and identities that such processes produce call for comment. There is a unique dilemma when pedagogy is confused with – and then conflated with – therapeutic work. (Evidence of this conflation, I would argue, is rampant at all levels of education, from childcare to doctoral studies.) The central dilemma is between the imperative to take risks in order to learn and unlearn, and the imperative to minimise psychological harm by refusing to subject individuals to ‘negative’ personal experiences.
As I have indicated above, failure is crucial to the culture of experimentation that “the right mix of learning and unlearning” demands. What we have seen, however is the unintended effect of an ethos of learning focused on a personal psychology of growth and development. The more success that is experienced, the higher will be the self-esteem and the student will thereby be a better learner and a happier person. To endorse confusion, failure and unresolvedness as central elements of the pedagogical process is to put the personal well-being of students at risk. This might not only reduce ‘student satisfaction’ levels, but militate against the trend to shorten timelines for successfully completing formal qualifications. There are a number of difficulties with this set of propositions, not the least of which is the inflation of marking that goes together with fear of causing students anxiety or psychological stress. Student opinion and students effort must always be approved – indeed, revered – regardless of usefulness. I note with interest Frank Furedi’s new book, Where Have All The Intellectuals Gone: Confronting 21st Century Philistinism in which he sets out the thesis that educators have turned schools and universities into “all inclusive theme parks where the customer is always right, where no-one is allowed to fail where no distinction is made between the good, the bad or the indifferent” (Dillon, 2005: 11). ‘Stretching’ the intellectual and imagination becomes risky when student self-esteem is sacrosanct. (…)

Fez-me lembrar e reflectir sobre algumas coisas… Primeiro: não gosto de conhecer “pormenores” sobre a vida dos meus alunos. No início do ano não peço para saber profissões de pais nem outros aspectos privados. Se vierem a ser necessários no processo, oK. Se não… Têm direito a essa privacidade. Segundo: não sou de bater palmas, mesmo que o sucesso seja muito. Não gosto de viciar os alunos no trabalho pela recompensa. Pobre forma de educar. A criança deve aprender a tirar prazer das suas conquistas. (Há muito tempo deixei pistas por aqui sobre o assunto). Holt questionava-se: elogiamos quem? A criança ou nós próprios, educadores magníficos, que as fazemos chegar ao sucesso? Cedemos todos um pouco ou muito a essa tentação… Terceiro: sou muito exigente (estico os limites e nem sei se os puxo se os empurro) e conquisto a sua confiança através dessa exigência que procuro explicar com verdade e de um discurso pouco meigo sobre as falhas e os erros: não me incomodam se servirem para avançar, são graves se eternamente repetidos por incúria e falta de trabalho pessoal. Aponto tudo o que não fazem correctamente sem receio de “traumas”e “treino-os” para o exercício de lidar com frustação de ouvir os outros dizer que fizemos algo mal feito (uma vez uma aluna respondeu a uma sugestão minha para melhorar a leitura de um poema, com este argumento: mas o meu professor de teatro e a minha mãe dizem que eu leio e represento muito bem!). Eles já se habituaram a esse discurso crítico e fundamentado e chega a parecer estranho o carinho que vão demonstrando por alguém que não doura situações nem as camufla, mas lhes estende a mão para puxar por eles quando querem, precisam e mesmo que pensem que não querem nem precisam. Hoje o G (que pouco tem feito, esperto, mas ainda completamente em terreno negativo por total ausência de investimento no trabalho) perguntava-me: eu já estou a copiar mais as coisas para o caderno, não estou? (e mostrava-me o caderno) Estás? (Respondi perguntando) Isso é o mínimo! É para ti que isso é importante, não para mim… Tu é que vais aproveitar se o fizeres… Queres palminhas? (Ele sorri… já me conhecem) . E eu estou melhor nas expressões? (perguntava a C. a provocar-me, pois sabia que lhe diria algo como: não precisas que eu te diga isso, tu sabes. Mas não, não chega, é preciso avançares mais). E vocês querem palminhas por terem aprendido a fazer expressões numéricas mais ou menos direitinho, mas continuarem a dar erros de cálculo, continuarem a não ler correctamente os problemas nem a usar a cabeça para aplicar o que sabem? Acontece que os resultados nesta turma continuam abaixo do que espero, apesar dos progressos em algumas situações que pareciam desesperadas, e tenho andado em alerta de sermão e conversa para os espicaçar. Pode levar-se um cavalo até à água… mas não se pode obrigá-lo a beber… Disse-lhes hoje a meio de uma conversa, entre um problema e outro. O quê? (alguns sem perceber… eu não expliquei… mas logo outros começaram a tentar desvendar o enigma) Quer dizer que a s’tora até se pode esforçar por ensinar e ajudar, mas se nós não quisermos aprender e não trabalharmos não aprendemos nada… (a luz) Claro! Vocês é que têm esse poder! Não sou eu! Eu só posso tentar ajudar o melhor que posso e sei, mas milagres não faço… E sabem que sou muito exigente e que não vos torno a vida fácil (esta minha mania dos testes surpresa para os testar e me testar… há tempos deixei aqui algo sobre o “vício do fácil). A semana passada ofereci dois de presente. Coloco o termómetro muitas vezes (de diferentes formas… podem ser apenas dois problemas num papelinho solto) o que me dá um imenso volume de trabalho mas um melhor conhecimento dos alunos naquilo que verdadeiramente interessa para os poder ajudar: os seus progressos e dificuldades, áreas fortes e fracas, não a sua vida pessoal.

E ao partilhar isto tudo estarei a fazer-me um auto-elogio pela forma como vou interpretando o que leio e procurando ajudar as crianças? A verdade é que cada vez mais questiono o que faço e vou sentindo muita frustração por não chegar exactamente onde quero. O único mérito é ainda não ter desistido de procurar caminhos… melhores caminhos. Caminhos um pouco mais ajustados a estes tempos incertos tão diferentes de outros tempos.

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Saber quem é Erica:

http://eduspaces.net/ericam/

Professor Erica McWilliam is an internationally recognised scholar in the field of pedagogical studies. She uses cutting edge ideas from Education, Social Sciences and the Creative Industries to investigate how best to prepare young people for creative work futures at a time of social flux.
Erica is currently a Carrick Institute Associate Fellowship (Developing pedagogical models for building creative workforce capacities in undergraduate students) and leader of the Creative Workforce research program within the QUT-led ARC Centre of Excellence for Creativity and Innovation. She is the sole editor of ‘Eruptions’, an interdisciplinary academic series with Peter Lang Publishing, New York)
Erica’s prolific publication profile is evidenced in 7 books (2 sole-authored) in 10 years, and 3 monographs, 7 book chapters, 23 refereed journal articles and 14 refereed conference papers in the last 5 years (Importantly, these publications show her long term capacity to engage with ideas beyond education in the interest of forging new fields of transdisciplinary scholarship.)

e, também, escutá-la:

Professor Erica McWilliam speaks about the importance of Partnerships among Research Fellows. She also discusses the common misconceptions regarding qualitative and quantitative research.


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