Arquivo de Novembro, 2009

Da Matemática (e das outras coisas de que ela precisa…)

A minha “nova vida” este ano tem-me permitido aprofundar a reflexão crítica sobre a prática do ensino da Matemática. Olhar os outros é olhar também para nós. Olhar os outros desde os primeiros anos de escolaridade, é começar a compreender as razões de algumas diferenças (que observamos depois mais tarde) que podiam e deviam ser atenuadas, por não se relacionarem com as características dos alunos mas, claramente, com as abordagens que os professores colocam em prática, condicionadas pela imensa falta de tempo (e condições em que trabalham) e com o seu próprio conhecimento/desconhecimento/gosto/desgosto pelas questões da Matemática e da Educação Matemática. Sem tempo… não se melhora o conhecimento em nenhuma destas duas áreas. Uma sem a outra não conduzem, por norma, a (boas) práticas persistentes e consistentes no tempo. O “pontual” e o “esporádico” não chegam para fazer a diferença.
  


Nenhuma reflexão fica completa sem leituras que suportem as nossas intuições e a nossa prática. Sem estudos que confirmem algumas relações entre estratégias e desempenho, que estimulem a mudança sustentada da acção para que se produza diferença… (das leituras falarei depois…)

 
É nos professores que reside o maior potencial para causar diferença. E se eles forem tratados como até agora, sem tempo para se actualizar, estudar e aprofundar questões científicas e didácticas, não esperemos que os Planos de Emergência apaguem fogos… Nem acreditemos que os Programas, com regras de execução que não permitem o aprofundamento necessário (excesso de solicitações para o tempo real disponível), mudem a maioria das pessoas nele envolvidas.

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Com remendos superficiais pouco se consegue. Tocam-se apenas os já muito motivados, com práticas aceitáveis que, com mais ou menos ajuda, acabariam autonomamente por evoluir até à excelência.
 

Já aprendi que é possível leccionar-se o primeiro ciclo sem afinidade com a Matemática (diria mesmo, com forte rejeição emocional à disciplina, provocada por um percurso de más experiências enquanto o professor foi aluno). São percursos confessados, com humildade e profunda consciência das suas limitações, por professores maravilhosos e dedicados que querem aprender para poder oferecer mais entusiasmo e rigor aos seus alunos. Já confirmei a minha ideia de sempre que quem lecciona o 1º Ciclo tem a tarefa mais dura e mais importante de todas… aquela que deveria ser mais valorizada.
Que muitos professores lutam para fazer melhor, procuram a ajuda possível, alimentam as suas crianças diariamente (com todas as disciplinas possíveis) sem tempo para respirar e com um carinho que é devolvido à nossa frente pelos meninos e meninas que são seus. Mas a pouca ajuda não chega a todos, nem o tempo de que dispõem hoje (nenhum) permite fazer um trabalho profundo e realmente sustentado de actualização em várias matérias, nomeadamente a Matemática.


E fazê-lo com vinte e tal crianças hoje (quantas vezes com mais do que um ano de escolaridade na turma), não é o mesmo que fazê-lo com as crianças que fomos, num outro tempo e mundo. Visitem-nos e perceberão o esforço, o amor, a dedicação. Não é por acaso que no Canadá – Ontário (dos melhores resultados em Educação) a estratégia se virou para os primeiros anos com uma medida simples: redução do tamanho das turmas.

Nas condições actuais, com tudo o que foi feito para retirar aos professores o tempo de que precisam para preparar melhores intervenções e construir materiais diariamente… não é expectável que o panorama se altere para melhor. Diria até que poderemos esperar o contrário, se nada for feito de realmente consistente para transformar os cenários que temos.
Os professores do 1º Ciclo são, juntamente com os professores do 2º Ciclo, o pedaço mais importante da viagem que culmina com o gosto/sucesso ou desgosto/insucesso nesta bendita/maldita disciplina. Estudos parecem confirmar que a janela de oportunidade se fecha aos 12 anos… Então, o que estamos a fazer aos nossos professores inventando mil formas de os afastar daquilo que deveria ser a sua verdadeira e principal missão?



Não tenho soluções milagrosas. Uma estratégia nacional de fundo que oferecesse formação exigente em contexto, tempo para a fazer e estudo da aplicação vs resultados, ajudaria. Paliativos, pensos-rápidos, um pouco de alcatrão para tapar os buracos quando aparecem, não são solução… mas é assim que temos vivido em muitos sectores: navegando à vista sem planos, sem prospectiva estratégica, com pessoas ignorantes nas mais básicas matérias educativas (e outras) liderando os (maus) destinos da nossa vida comum.

Eu comecei este texto, pensando que diria duas linhas e depois apresentava os livros e vídeos de que vos queria realmente falar. Será noutra entrada, quando conseguir tempo para partilhar leituras que me têm ajudado. Mas puxei por um fio preso à emoção dos dias que têm corrido velozes e cheios de trabalho, acompanhando os professores e os meninos nas suas escolas e compreendendo as fragilidades, os sucessos, os insucessos, as dificuldades, a falta de tempo para conseguir mais e melhor. Meto as mãos na massa com todos eles e agora sinto que ando a ser professora (de meninos dos 6 aos 15 – percursos alternativos, 5º ano) pela cidade fora, em parceria com colegas que se dispuseram a fazer formação (alguns mesmo sem precisar de créditos – contratados), ajudando-os nas aulas e sendo realmente adoptada como mais uma professora das turmas (fico sempre tocada com o carinho do acolhimento nas segundas visitas e a despedida ternurenta nas primeiras com a pergunta: voltas quando?). No primeiro ciclo as despedidas e olás vêm com abraços “ao molhinho” de seres muito pequeninos a precisar de toda a atenção do mundo… não importa a origem, a raça, o bairro onde vivem.

 


Se os puder ajudar a todos (professores e alunos) um bocadinho… já fico feliz.
Mas este bocadinho não vai chegar e precisarão de (muito) mais…

Só mais umas palavras com açúcar dentro: numa das aulas onde estive, vi entrarem mães com os seus meninos… e aproveitei para pedir autorização para fotografar as mãos e o trabalho delas, explicando as razões. A certa altura entra uma mãe grávida, que veio deixar o seu menino e falar com a professora… Olhámos uma para a outra e o abraço cresceu num segundo: foi minha aluna na Luísa Todi… há muitos muitos anos. É dela o menino na terceira foto…

“Recanto” online do PFCM da ESE/IPS – recursos

Fora de casa todos os dias. Acompanhamentos de professores para preparar e fazer, planificações e materiais para analisar, mais viagens (frequentemente duas vezes por dia até Setúbal), não me permitem estar muito presente nos meus recantos habituais.

Outra das razões… é o tempo investido na construção deste espaço novo (ainda muito no início) onde iremos colocando os materiais da ESE de Setúbal, no âmbito do PFCM.

E porque não queremos que seja só mais um espaço de texto e imagem… vamos criar alguns vídeos de apoio aos professores… utilizando para isso as nossas semanais, animadas e enriquecedoras sessões às quartas-feiras, lá para os lados da ESESet.

Assim… fizemos de improviso uma primeira experiência… sem cortes nem edição. Apenas perguntas e respostas, porque o universo do primeiro ciclo é novo para algumas das formadoras que são professoras no 2º Ciclo… e há muito para ler e aprender (ver aqui o primeiro). Embora imperfeito… pareceu-nos útil disponibilizá-lo já como complemento para os textos das próximas sessões.

Sorrisos e números e peixes e flores e sorrisos…


Acompanhamento de uma aula de terceiro ano em Setúbal.
Mágico
Pena o tempo ser sempre pouco.
É como se adoptássemos mais meninos para além dos nossos. Neste caso, meninos felizes e muito motivados para a Matemática e para a aprendizagem em geral (nenhum se levantou para o lanche à hora do toque, quando cheguei… continuaram a escrever o texto em mãos e foi difícil tirá-los da sala para descansarem um pouco). A seguir, o entusiasmo com a tarefa Matemática foi contagiante.
Da sua professora diziam-me: a nossa professora vê Matemática em todo o lado!
(Percebeu-se tão bem a relação, a empatia, o entusiasmo da professora e deles em perfeita sintonia. Não nascem pintos sem ovos e sem calor. Não é por acaso o que ali se respira).
Muitas ideias para futura exploração, algumas adaptações do inicialmente previsto e quarta-feira regresso. “Não vens amanhã?” perguntaram eles? Não posso… tenho de dar aula aos meus meninos. Mas quarta já aqui estou! Durante a aula, para me distinguirem da sua professora… chamavam-me professora de Matemática… e chamaram muitas vezes quando perceberam que eu era mais um recurso à mão…
Chegar a casa tarde… ir até à varanda sobre o jardim para respirar.
Passa a Sara (Turbêturma, agora no 8º ano) a caminho da piscina e avisa-me: “Professora! Fiz um projecto Scratch novo! É um aquário!” (não publicava desde Maio de 2008).
Fui espreitar e… adorei.
Duas versões… português e inglês.
Cada semente plantada… cada flor.
Tenho sorte por continuar a vê-las crescer… mesmo de longe.

Scratch Project

Scratch: os projectos e reflexões da IC

Não deixem de visitar o seu recanto em http://scratch.mit.edu/users/icampeao
e a sua entrada AQUI.

A qualidade dos seus projectos e das suas reflexões bem o merecem.
A Escola precisava de entusiasmos como o teu… 🙂

Scratch Project


Escusado será dizer que o ffred continua imparável…
http://kids.sapo.pt/scratch/users/ffred

O entusiasmo de ambos é um magnífico exemplo para nós… 🙂

European eLearning awards 2009 – Scratch time é finalista (TOP50)

Top 50 finalists 2009 (AQUI)
Há dois projectos portugueses seleccionados.

eLearning Awards Jury announces top 50 projects in 2009
The eLearning Awards Jury is proud to unveil the best 50 projects submitted to the 2009 competition. This year the competition has been very tough with more than 700 entries submitted and 695 approved, showcasing projects of very high quality. A jury session was organised on 9 November 2009 to select the final winners, who will be offered thousands of euros in cash prizes and brand new ICT equipment. Winners in this year’s ten categories will be announced during the eLearning Awards ceremony on 26 November at the EMINENT Conference in Vilnius, Lithuania.With close to 700 projects submitted in the 2009 competition, the eLearning Awards Jury complimented on the overall high quality of this year’s entries. “The 50 shortlisted and 10 winning projects are quite a remarkable selection with some very innovative ideas. We learned and discovered a lot from the projects this year. And not only 10 or 50, but all the projects can be regarded as winners, as they won hearts and minds of students, which is most important in education, including its rapidly growing eLearning branch!”. The Jury also pleaded to encourage initiatives fostering international collaboration through ICT, which is emerging as a growing trend.
(AQUI)


Já estou contente por termos chegado até aqui…
Falta a selecção final nas várias categorias… 10… com três prémios cada (AQUI).Tudo o que aconteça será considerado um bónus extra (dinheiro e equipamento para as Escolas dos projectos vencedores).

Embora no Sumário (publicado na galeria) não apareça… no texto de todo o projecto dediquei muitas palavras (nos vários itens da submissão) a explicar como a PT e o SAPO agarraram na ideia e lhe deram forma em Portugal e em português para mais países. Tudo para que se percebesse o alcance da ideia e do projecto e a possibilidade de disseminação da experiência em várias escolas e países que partilham a nossa língua (um dos itens da candidatura)…

1 Belgium
Leçons et Exercices interactifs au Fondamental
2 Belgium
Creative Commons
3 Bulgaria
Mosaic of Science and Culture
4 Czech Replublic
Felixvision
5 Finland
Asiantuntijaverkosto
6 France
Kidimath : un accompagnement à la scolarité en Mathématiques
7 France
Classes TICE
8 France
Les inférences
9 Greece
Forest fires.Planet Earth is calling SOS…
10 Greece
Teaching Science in Art High School of Ampelokipoi
11 Greece
The weblog of 3rd Secondary School of Toumpa, Thessaloniki, Greece
12 Italy
Chain Stories
13 Italy
Virtual classes
14 Italy
HST – European Pupils Magazine
15 Italy
E-Learning for a sustainable planet
16 UK
schoolovision2009
17 Lithuania
My Class – Super Class!
18 Lithuania
Kėdainių šviesiosios gimnazijos mokinių mokslinė draugija
19 Malta
Exchanging teaching ideas between countries
20 Netherlands
Learning English together – YES WE CAN!
21 Poland
Art inspired by Mathematics
22 Poland
For knowledge virtually
23 Poland
Let`s give a breath to Earth
24 Poland
E-learning for final exams in physics
25 Poland
ITC 2008 + Lessons Leadership
26 Poland
Baking Confectionary Almanac
27 Poland
E-education
28 Poland
e-CREATIVES PROJECT : I Investors ICT tools in themselves – the first step to open a free education
29 Portugal
Scratch time! Club
30 Portugal
Parts of Art
34 Romania
The pizza business across Europe
31 Romania
From waste to energy
32 Romania
Champion Educational Archive
33 Romania
My Town in Numbers
35 Slovenia
E-um portal for mathematics
36 Spain
MY ENGLISH PROJECT
37 Spain
Physics Laboratory at Secondary School
38 UK
Digital Fieldwork Training
39 UK
The Gingerbread Man
40 UK
Meiosis The Process That Adds The Spice
41 Turkey
Extraordinary
42 Turkey
Podcast Learning
43 Turkey
COMPUTER-AIDED LEARNING PROJECT ON CHARACTER AND VALUES EDUCATION
44 Turkey
Smiling and Happy Newspapers
45 Turkey
COMPUTER-AIDED LEARNING PROJECT ON SCIENCE AND TECHNOLOGY LESSON, COURSE SUBJECT: CELLS
46 Israel
Globaldreamers -Peace Project
47 Israel
Yoter – Developing excellence in education
48 Germany
Primalingua – we speak European
49 Iceland
Digital Storytelling – Stop Motion Animation
50 Sweden
Georgios Workshop in Physics and Mathematics

Recursos interactivos – Isometrias

Applets interactivos: isometrias (congruência de triângulos)
Recurso interessante.

Scratch…

Tecendo para os lados do clube (mais uma sessão).

http://clubescratchtime.blogspot.com/2009/11/quem-nos-agarra-sessao-6.html

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