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Mitch Resnick: The Role of Making, Tinkering, Remixing in Next-Generation Learning

Mitch Resnick: Making, Tinkering, and Remixing in Learning Innovation from DML Research Hub on Vimeo.

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Carta aberta ao Ministro da Educação (Magalhães…?)

Caro Nuno

Não nos conhecemos pessoalmente e nem sempre partilhamos das mesmas ideias sobre as coisas. Mas hoje não falarei de nenhuma delas, porque venho apenas fazer um apelo simples e fundamentá-lo. Faço-o em meu nome pessoal, enquanto professora, e não em nome das instituições onde desenvolvo a minha atividade profissional, ou em nome de qualquer outro grupo.

O apelo?
Deixo-o já aqui e voltará a encontrá-lo por entre as razões que o justificam:
“… solicito que seja ponderada com carinho a ideia de continuar o programa Magalhães mas, desta vez, entregando os PCs às escolas…”
Sei que o tempo é pouco… mas talvez queira conhecer as razões que me levam a fazê-lo…

Sou professora de matemática por absoluta vocação. Diria até que por incontrolável amor, já que não é a minha especialidade. Formei-me em Geologia (Ramo Educacional) na FC/UL e batalhei por lá longamente nos anos 80 para me deixarem fazer o estágio no 2.º ciclo (matemática e ciências) e não no 3.º. São idades especialmente mágicas para ensinar e aprender. Também escrevo para crianças (um dos meus livros de poesia está no Plano Nacional de Leitura) e desde os 20 e poucos anos que abracei a causa das TIC na educação (pela mão de Seymour Papert e da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal), sobretudo na exigente área de utilização de linguagens de programação com os mais jovens. Acredito na interligação dos saberes e em contextos que promovam essas ligações.
Ensino exatamente como vivo: com entrega e intensidade (desde 1984).

Nos anos 80, com Timex_s e ZXSpectrum_s (Minerva), já os meus alunos programavam com a linguagem LOGO (crianças desfavorecidas que viviam  vidas difíceis em zonas complicadas da cidade de Setúbal e que aprenderam a amar a matemática  numa escola feita de barracões sem quaisquer condições).
Depois de uma tese de mestrado recente (na FPCE/UL) que quis prática e virada para a sala de aula, em torno do uso da linguagem de programação Scratch (concebida no MIT, onde estive em 2008, para assistir à primeira conferência ScratchMIT e conhecer a equipa com quem colaborei à distância), avancei para nova luta que desse expressão real ao sonho que deixei escrito nas perspetivas de futuro no final dessa tese.

O MIT tem uma plataforma internacional onde todos os programadores colocam os seus projetos. Os meus primeiros alunos utilizaram-na, e à aplicação original, embora sentindo-se um pouco perdidos no universo imenso de produtos e discussões em inglês. Depois de um trabalho conjunto, a PT/SAPO conseguiu os direitos para replicar aqui a plataforma e apresentar uma aplicação gratuita com excelente tradução feita por especialistas (inicialmente trabalhei com a versão português do Brasil que não nos satisfazia), mas isso não se traduziu, claro, em mais e melhor trabalho nas escolas, mais experiências, porque faltava o essencial: formação e partilha de experiências entre os professores.
E porque os sonhos grandes são teimosos, um dia aconteceu ter oportunidade de falar de tudo isto à Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas (ERTE/PTE – DGIDC) e finalmente ganhar (no ano letivo passado) a confiança do ME (atual MEC) para se avançar com a criação de um portal de educadores e iniciar um processo gradual de sensibilização, formação e apoio a projetos, a partir do CCTIC que integro…
Pelo caminho continuei a trabalhar com os meus alunos, que no 5.º ano usam o referencial cartesiano como se estivessem no 7.º, resolvem problemas sem receio, se habituam a ser rigorosos, a explicar raciocínios e até se aventuram no uso de variáveis para, descoberta uma relação matemática e a respetiva fórmula, a incluirem num programa que permite, por exemplo, desenhar um polígono no ecrã, seja qual for o número de lados… O Scratch é muito mais do que isto, é certo… e convoca a integração de outras ferramentas tecnológicas e artesanais e de todos os saberes sem excepção. E pode ser usado com qualquer tipo de alunos, dos que têm mais dificuldades, aos sobredotados e em qualquer área curricular. Não é solução milagrosa. Só consegue atingir todo o seu potencial junto dos alunos com professores mediadores exigentes, preparados e motivados. Não se compadece com desinteresse ou desinvestimento. Obriga-nos a trabalhar a todos e não é uma solução para quem queira investir pouco. Uma carta como a que lhe escrevo hoje não conseguiria contar-lhe tudo o que já vivemos (e podemos e vamos viver) com professores e alunos que se atrevem ao desafio que o Scratch representa.
Ficará para outro dia.

Então por que razão resolvi dirigir-lhe estas palavras? No presente ano letivo o MEC confiou no trabalho que estava a ser desenvolvido pelos Centros de Competência e, embora com cortes que afetarão o seu desempenho, aceitou a continuação destes centros de apoio. Eu sou uma das professoras que faz parte dessa equipa, pela primeira vez com 100% do tempo dedicado à causa. Integro o CCTIC da ESE/IPS. Iniciámos um trabalho intenso no ano que passou, o qual começa a dar frutos em várias frentes (não apenas na matemática), e quando finalmente íamos avançar para experiâncias inovadoras com alunos do 1.º ano em algumas escolas, cujos professores estão motivados para avançar, não temos computadores em número suficiente. Verdade seja dita, numa delas (recentemente construída), nem sequer existe internet nos computadores que os alunos poderiam usar (Biblioteca).
Se a estratégia nacional prévia tivesse sido a de entregar os Magalhães às escolas e não aos alunos (como sempre defendi – com a possibilidade das crianças os poderem requisitar para trabalhar em casa em projetos da escola) não estaríamos agora nesta situação. Sim… sei… alguns pais dizem:  os Magalhães existem e a Escola nunca fez nada com eles. Mas algumas (muitas?) fizeram e querem continuar a fazer… Um exemplo simples: uma professora de uma escola em Aiana/Sesimbra desenvolveu com uma turma de 4.º ano um trabalho interessantíssimo com o Scratch (nos Magalhães) e, agora, a mesma professora vai arrancar com uma turma de pequeninos do 1.º ano, com ideias, com toda a experiência e formação… mas com um só computador para 20 alunos. E há mais escolas/professores nessa situação.
Sei que para o MEC este é um tempo de reavaliação de projetos, de contenção, de cortes. Mas a tecnologia é indispensável quando bem usada, como o são o lápis e o papel (e eu sou, apesar deste discurso, uma professora conservadora que continua a gostar muito do papel e do lápis e da prática compreensiva dos procedimentos, ou mesmo o treino simples – os meus alunos sabem-no bem), e é já parte inseparável da vida dos alunos, para o melhor e para o pior.

Temos obrigação de os ajudar a otimizar a sua utilização, apoiando-os no sentido de os tornar criadores de ideias e conteúdos com as tecnologias, de os fazer crescer cognitivamente acima do esperado para o seu nível etário ou de escolaridade, e não deixá-los ser apenas meros consumidores de música, jogos e comunicação síncrona, quantas vezes sem critério ou efeito educativo mais formal. Se a escola não os ajudar, quem poderá fazê-lo (em muitos casos, infelizmente, a família está pouco presente, ou é pouco conhecedora de alternativas ao consumo desregrado…)?

Por tudo isto, e mais coisas que não cabem aqui (mas me ofereço para esclarecer em qualquer altura), solicito que seja ponderada com carinho a ideia de continuar o programa Magalhães mas, desta vez, entregando os PCs às escolas. Não apenas por causa do Scratch, é claro (e nós socorremo-nos de muito mais ferramentas TIC e não só, quando trabalhamos em programação), mas pela importância absoluta que as tecnologias têm e terão neste século, pela necessidade de ajudar os professores a tirar o melhor partido delas combinando-as com os métodos tradicionais (a ERTE e os CCTIC que coordena têm de cumprir essa missão) e pela urgente necessidade de educar as nossas crianças e os nossos jovens para fazerem um uso mais seguro, racional e enriquecedor de todo o seu potencial.

Obrigada por ter escutado.

Teresa Martinho Marques
EB 2,3 de Azeitão
CCTIC – ESE/IPS EduScratch
http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/
http://projectos.ese.ips.pt/cctic/

 www.tempodeteia.blogspot.com

Apontamentos…

Aprender construindo com o Scratch – Correio da Educação

Junho a ir, Julho a chegar… sempre em movimento!

Uma manhã especial na EB1 Rosa dos Ventos – Montijo

Mais recursos EduScratch… e etc.

Alison e Scratch: uma surpresa muito doce…

Sessões práticas de Scratch no CCTIC da ESE/IP Setúbal

Scratch Day 2011 – CCTIC da ESE/IPS (o dia seguinte!)

Inteligência natural…

Scratch Day 2011 a caminho!!

Scratch Day 2011 – Mensagem do MITWebinar – Scratch na Escola

Fim-de-semana atarefado…

EduScratch – an educators community in portuguese language (Notícia no SCRATCHED do MIT)

Já ouviu falar do Scratch? (vídeo “caseiro artesanal” 🙂

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Gerir a diferença II – Correio da Educação ASA

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Fevereiro

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Professor: exercício de amor e paciência?

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Apanhar o fio à meada da teia… (Outubro 2010)

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Para além dos problemas… Coisas preciosas: uma investigação matemática multimédia…

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Clube Scratch time – Sessão 1

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COIED

Scratch time!


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