Arquivo de Novembro, 2007

O investigador “mineiro”

Comecei aqui (comprei na última ida à Universidade)
.


Lá dentro, depois de reler o artigo da F. Costa (Tendências e práticas de investigação na área das Tecnologias em Educação em Portugal ) detive-me na bibliografia…

Os trabalhos de Papert estão sempre entre os meus eleitos. Reparei que um deles já estava em meu poder, descoberto por outras vias nas sondagens profundas a esta mina chamada internet (e que divulguei no blogue Muito mais há uns tempos). Outro intrigou-me e abriu-me o apetite. Percebi que se encontrava integrado num livro da Gulbenkian – Novo conhecimento, nova aprendizagem… e aí fui eu…

À primeira, em versão pdf, descubro uma versão inteirinha do dito livro. Para além do artigo de Papert (Change and resistence to change in education…), descubro mais diamantes lá dentro… fértil leitura. Precisava de alguns dos fios que lá encontrei.

Depois… puxando por esses fios e por outros, numa deambulação orientada pelas questões da teoria da complexidade e do pensamento complexo, chego aqui.


Mineiro, sim.

Outras preciosidades úteis feitas de ideias que brilham através das palavras…Foi um bom dia!
Partilho, porque a partilha é parte essencial do caminho.

Scratch: o relógio do Bagija

Chegou entusiasmado, desejando partilhar. Oh professora pensei no desafio e construí o meu relógio com o scratch.
Boa! E então como foi? Como fizeste?
Bem, eu fiz o relógio e o ponteiro dos segundos (eram dois sprites) e pensei que o ponteiro depois de rodar tinha de esperar um segundo, claro. Mas depois o ângulo é que demorou mais a descobrir!
Conta lá! (Final da aula de EA, O F contando-me a história a mim e ao professor de LP)
Então, aquilo quando começa tem sempre 15 graus na instrução de rodar, mas achei que era muito e mudei para 10. Experimentei mas não deu. Depois experimentei um grau por cada segundo. Era pouco e não dava. Fui experimentando e acabei por chegar a seis graus que é o valor certo para o relógio funcionar.
Então porquê? (A minha cabeça já a mil, apercebendo-me do problema matemático que havia estado à sua mão de resolver… se eu estivesse perto dele tê-lo-ia colocado a pensar no assunto) Vamos lá pensar juntos. (O professor de LP a ficar entusiasmado com o rumo da conversa…) Foi ele quem perguntou: o relógio é o quê?
É um círculo…
Sim e então quantos graus tem uma volta completa?
Via-se através dos olhos e das mãos a cabeça do F a trabalhar… ele ia dizendo em voz alta: ora assim é 90 graus, depois fica 180…
E? E? Nós quase sem resistir…
Ao todo 360 graus…
Pois… Então… Quantos segundos numa volta completa?
São 60… ah!!!!!!Dividia-se 360 por 60!!
A descoberta…
Por isso é que me deu 6 graus. 6 x 60 dá 360! Era mais fácil!
Pois… A Matemática tem esta forma interessante de nos ajudar nos momentos mais inesperados. Através dela é posssível fazer atalhos aos caminhos e não usar apenas métodos por tentativas. Mas, neste caso, também é bom ensaiares e depois perceberes a possibilidade de existência de outros caminhos! Foi óptimo o que fizeste! E, vês, acabaste por descobrir uma outra forma de resolver o problema. Se puderes escreves as notas do projecto – como fizeste as tuas descobertas para eu ficar com elas?

Precisava de tempo… bastante mais tempo para inventariar estas situações, para as testar com os alunos, conversar mais com eles, descobrir os problemas possíveis… antecipar-me um pouco sem depender exclusivamente dos projectos que eles vão apresentando livremente e do tempo extra que ainda não desisti de oferecer mas que se está a esgotar. Mas agora tempo real para se ser professor/investigador com seriedade é coisa que já não há, porque alguém entendeu que a nossa função não é pensar, preparar, estudar, criar situações novas de aprendizagem adequadas às novas ferramentas disponíveis. Alguém entendeu que bastava apenas distribuir tarefas a metro, computadores a quilo e esperar que, por geração espontânea, os milagres acontecessem.
Não vão acontecer. E sabem perfeitamente disso. Só que o dinheiro fala mais alto do que a educação.
Mais. Uma certeza podem ter: vão desacontecer muitas das coisas boas que aconteciam.

Oh professora… ainda não consegui foi fazer o ponteiro das horas…
Vais conseguir… vais conseguir…

Com a simplicidade de dois sprites e dois scripts o F (11 anos, 6º ano) fez o projecto que a seguir se divulga.
Aguardo com expectativa o que se vai seguir.

Scratch Project

Scratch: actualização

Já são sete alunos nas galerias Scratch…

http://scratch.mit.edu/users/telle

http://scratch.mit.edu/users/Ritty

http://scratch.mit.edu/users/estrelar

http://scratch.mit.edu/users/rakel

http://scratch.mit.edu/users/Bagija

http://scratch.mit.edu/users/roselina

http://scratch.mit.edu/users/jorginho

Aguns projectos contêm elementos muito curiosos. Um deles merecerá destaque em breve pelo raciocínio que convocou e pela discussão de possíveis abordagens matemáticas na resolução dos problemas que surgiram ao aluno durante a sua execução. Muito interessante.

Conferência na FPCE da Univ. de Lisboa

Já me inscrevi… AQUI

Blogue da conferência

13 de Dezembro de 2007, pelas 18 horas

Anfiteatro da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
da Universidade de Lisboa

Orador: João Carlos de Matos Paiva (página pessoal) é Professor Auxiliar no Departamento de Química (Secção de Educação), da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. O seu principal interesse profissional situa-se nas aplicações pedagógicas das Tecnologias de Informação e Comunicação, particularmente no domínio da Química. É coordenador do Grupo de Ensino e História das Ciências do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra.

Faz-se uma reflexão sobre alguns desafios relacionados com o e-learning no nosso tempo. O estabelecimento de comunidades de aprendizagem a pretexto das novas oportunidades do mundo digital é uma evidência do nosso século, mas as questões mais profundas e dilemáticas estão no fascínio da pessoa humana e dos relacionamentos, sempre “além dos bits”…

(destaque meu sobre o texto da equipa responsável pela organização do evento)

O que acrescento mais para vos convencer?

Bem… na página pessoal do orador encontrei esta ternura (que vos deixo mais abaixo). A química vista pelo meu filho Afonso… Já sabem como sou… há fios que são muito mais apetecíveis do que outros. Que falam mais do que outros. Talvez por isso saiba que, sim, teremos as pessoas no centro, que o mais importante no digital, que o mais importante das tecnologias, continua a ser a pessoa humana, o relacionamento que estabelece com o outro. A mim o digital permitiu a inclusão na minha estrada de gente muito especial. Gente que me tem feito crescer, que se preocupa, que é testemunha do caminho. Sem as tecnologias não seria possível, realmente. Mas sem as pessoas seria impossível, mesmo com todas as tecnologias do mundo…

O nosso “Scratch team” está a crescer…

A TurBêturma já tem cinco alunos nas galerias Scratch…

A GTurma começará mais tarde.

O entusiasmo vai crescendo.

http://scratch.mit.edu/users/telle

http://scratch.mit.edu/users/Ritty

http://scratch.mit.edu/users/estrelar

http://scratch.mit.edu/users/rakel

http://scratch.mit.edu/users/roselina

Exemplo de um projecto novo com vertente informativa (feito pela Roselina -> S). Deixei sugestão para ir melhorando e desenvolvendo a ideia (sem esquecer uma ou outra correcção).

Scratch Project

Mais um projecto Scratch (meu)

Pois…
Eu não preciso de saber tudo… (e neste Domingo já arranjei imensas dúvidas).
Mas convém ir experimentando para poder saber um pouco mais e ir crescendo em paralelo com os alunos.
Hoje, finalmente, roubei um tempinho ao dia (e às leituras, também urgentes) para treinos.

Isto foi o que se arranjou. (Tem bugs, claro… mas o tempo… ai o tempo!)

Podem consultar as notas na galeria.

Scratch Project

Scratch: a história continua

Acabei de receber estes “apelos” em comentário a uma entrada na Teia (a entrada não é importante, os alunos gostam de comunicar comigo através dela e, portanto, foi o que aconteceu).

 Explico-os (aos comentários) e divulgo o projecto da Teresa a que se referem. Fui apanhada de surpresa… ou nem por isso. Estes “miúdos” têm o turbo ligado e com pouco da minha parte, uma dica aqui, uma pista acolá, uma explicação hoje, um estímulo amanhã… acontece magia. As relações que temos vindo a construir desde há mais de um ano ajudam, sei. Mas tenho muito que aprender com eles! Essa é a parte melhor… eles já vão lá mais adiante!

Teresa disse…
Professora! Consegui! Já construí o projecto scratch de ciências 🙂 já o pus na minha galeria vou tentar enviar à professora 🙂 Se não der, tento passar para uma pen e entrego à professora. Beijinhos.
9:03 PM
Teresa disse…
Professora já criei uma conta no scratch. Já pus o meu trabalho na galeria. Se quiser ver ponha em search, telle. E depois nessa página procure corpo. Beijinhos. Espero que goste:D
9:18 PM
28 na sala disse…
Professora,vá ao turbeturma, já lá pus o meu trabalho do scratch. :D. Beijinho. Teresa


Pois…
Desde o início do ano que partilhei com a turma do 6º… primeiro o endereço, depois o programa… as potencialidades… o vídeo que traduzi com o mojiti… o meu único projecto (o tempo não chega para mais),  fui sabendo quem instalou, quem ia avançando (ainda vamos apenas em 10 alunos com o programa instalado), o que iam fazendo, como… pequeninas conversas… sugestões… dúvidas partilhadas entre todos. Bem, na última aula de apoio de Matemática (onde é suposto irem dois, mas nunca vão menos de quatro) instalámos o Scratch e experimentámos… mais uns com vontade de experimentar, foi o que consegui. Tenho sugerido que usem o programa direccionando os projectos para a construção de actividades que vão reforçando as aprendizagens das aulas. Pequenas demonstrações, actividades interactivas. Fracções… sistema digestivo, mas sem cortar nunca a possibilidade de fazer coisas só pelo prazer de explorar e experimentar. Pelo contrário. É por aí que devem começar.
Na aula de estudo acompanhado da semana que passou… recordar (projectando) como instalar, para tentar motivar os mais ausentes. Vários alunos foram até ao quadro e explicaram à turma os projectos que já fizeram ou em que estão a trabalhar. Curiosamente, nem foi mau que a internet tivesse falhado, porque tiveram de encontrar uma forma, algures entre as palavras e os esquemas no quadro, para comunicar as ideias e isso é competência que insisto em desenvolver todos os dias um bocadinho. Um projecto com um barco que vai e vem, falando dos descobrimentos, um de fracções já iniciado, menina em trampolim falando em inglês, sistema digestivo iniciado… e mais uns quantos… o interesse pareceu crescer com a partilha. (Era um dos objectivos). Fui colocando questões… mas porque usaste 79 graus? E que instrução deste para ele não sair das margens? E isto? E aquilo? E como conseguiste que a menina desse uma cambalhota no ar? E eles explicando… sem poder mostrar os programas escritos (mais tarde partilharão ao vivo nas galerias do Scratch). Foi bom. Foi muito bom. Em alguns casos foi mesmo surpreendente, se pensarmos no caminho que já fizeram e no imenso que progrediram do ano passado para este. O Scratch parece ter também esta potencialidade de abrir janelas, portas, oferecer confiança, desinibir pelo aumento da auto-estima, pela colocação em evidência de outras competências menos comuns: a capacidade de programar o computador, de o fazer obedecer à nossa vontade, concretizando as nossas ideias…
E depois do que a minha aluna Teresa partilhou, acabei de ficar com uma certeza:
acabaram-se as certezas…vou ter muitas surpresas este ano!

Scratch Project

Observações complementares: as actividades nesta turma não era suposto “entrarem” no trabalho da tese de mestrado… Mas começo a achar que, mesmo marginalmente, vão acontecer aqui coisas merecedoras de registo e que estabelecerão diferenças relacionadas com o nível etário (eventualmente) e com o facto de no 5º, a turma envolvida,  ir trabalhar directamente comigo nas aulas, ao contrário do 6º em que mantenho maior distância e dou orientações pontuais… Já pedi aos alunos de 6º que iniciem o registo das notas de campo de cada projecto e terei de tentar perceber quais os problemas com que se depararam durante a construção dos “scripts” e a forma encontrada para os resolver. No 5º… bem… no 5º estarei presente nas aulas a trabalhar com eles… mas… quero que o trabalho se prolongue em casa se o desejarem e se sentirem motivados… aí não poderei observar directamente… notas de campo, sim, posso pedir… para perceber os processos… mas depois vai ser importante falar com os pais…

Já está a rolar… ai o tempo a fugir!  (E, entretanto, avancei numa aula de matemática da turma do 5º, com os eixos do x e do y… já antecipando, já preparando… deixei testemunho na Teia)…


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